
"Era um morto desconhecido, tendo por roupa só as algas, os liquens e as coisas verdes do mar." (Rubem Alves)
O fragmento de texto de Rubem Alves provocou uma discussão sobre a grafia da palavra "liquens". Afinal, com ou sem acento?
É fato que, no singular, "líquen" recebe acento, como todas as paroxítonas terminadas em "n" (íon, próton, elétron, cátion, hífen, sêmen, pólen etc.). A questão coloca-se quando essas palavras vão para o plural.
"Íons", "prótons", "elétrons", "cátions" e outras paroxítonas terminadas em "ns" são acentuadas (também no plural), mas as paroxítonas terminadas em "-ens" não o são. Para entender isso, o mais fácil é lembrar outra regra, a das oxítonas (palavras cuja sílaba tônica é a última). As oxítonas terminadas em "-em" e "-ens" são acentuadas - é por isso que acentuamos palavras como "alguém", "ninguém", "vintém", "parabéns", "manténs" etc.
Se as oxítonas terminadas em "-em" e "-ens" têm acento, as paroxítonas com idêntica terminação não o têm. O sistema de acentuação baseia-se no princípio da oposição.
Assim, não se acentuam "item", "itens", "nuvem", "nuvens", "jovem", "jovens", "paisagem", "paisagens", "polens", "semens", "liquens" etc.
Thaís Nicoleti