
"A Microsoft enfrenta uma nova leva de competidores que provêem softwares gratuitamente pelo navegador em troca de publicidade on-line."
O texto em epígrafe está correto, mas há quem pense que não está. A hesitação é compreensível por causa da semelhança entre os verbos "prover" e "provir" - semelhança essa, aliás, que não ultrapassa o nível gráfico.
"Prover", sinônimo de "tomar providências", "providenciar", "fornecer", conjuga-se pelo verbo "ver" (vejo/provejo; vê/provê; vêem/provêem); "provir", que significa "descender", "derivar", "resultar", conjuga-se pelo verbo "vir" (vem/provém; veio/proveio; vêm/provêm).
O verbo "prover", entretanto, merece atenção especial porque, diferentemente do verbo "ver" (do qual deriva), assume a feição regular em alguns tempos e modos. O verbo "ver", no pretérito perfeito, ganha as formas "eu vi", "tu viste", "ele viu", "nós vimos", "vós vistes", "eles viram", mas o verbo "prover" apresenta comportamento regular (como o de "perder", por exemplo): "eu provi", "tu proveste", "ele proveu", "nós provemos", "vós provestes", "eles proveram".
No pretérito mais-que-perfeito, temos "eu provera" (ao lado de "eu vira") e, no pretérito imperfeito do subjuntivo, temos "se eu provesse" (ao lado de "se eu visse"). O particípio de "prover" é "provido"; o de "ver" é "visto". Nos demais tempos e modos, "prover" segue o modelo de "ver".
O verbo "prover" merece, portanto, atenção, pois apresenta-se parcialmente regular e parcialmente semelhante ao verbo de origem ("ver").
Um abraço,
Thaís Nicoleti