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Prefixo "co-" justapõe-se a todos os termos, exceto os iniciados por "h"

Por Thaís Nicoleti

O prefixo "co-", na antiga ortografia, aparecia ora separado, ora justaposto a palavras iniciadas por quaisquer letras. Havia grafias como "cooperar" e "coexistir" ao lado de "co-autor" e "co-edição", "correligionário" e "corrupto" ao lado de "co-réu" e "co-responsável". Ao mesmo tempo, "co-seno" alternava com "cosseno" e o hífen era obrigatório em "co-piloto", "co-gestor", "co-herdeiro" (embora em "coabitar" e em "coabitação" já tivesse havido a aglutinação) e em quaisquer formações recentes.

Havia, de fato, a necessidade de uma melhor sistematização da grafia das palavras iniciadas pelo prefixo "co-". Assim, o Novo Acordo Ortográfico determina que esse prefixo se separe por hífen apenas dos termos iniciados por "h"; com os demais, une-se por justaposição.

Consequentemente, passamos a escrever "coautor", "coedição", "coprodução", "copiloto", "corréu", "corresponsável", "cogestor", "cosseno" etc. A simplicidade da nova convenção esbarra, entretanto, no emprego do hífen antes do "h". Por quê?

A grafia "coabitar", por exemplo, é consagrada e há certa resistência a transformá-la em "co-habitar", o que, de certa forma, tem apoio no próprio texto do Acordo, que, em sua Base II (referente ao uso do "h"), estabelece que o "h" inicial se suprime "quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina ao precedente", arrolando como exemplos os seguintes termos: "biebdomadário", "desarmonia", "desumano", "exaurir", "inábil", "lobisomem", "reabilitar", "reaver".

Poder-se-ia argumentar que boa parte dos exemplos arrolados não poderia voltar a ostentar o "h" até porque a sua pronúncia não o permitiria (não se diz "des-humano"; o "s" adquire som de "z" diante da vogal "u", com a qual forma sílaba: "de-su-ma-no"). No caso de "reabilitar" e "reaver", não há impedimento de natureza fonética a grafias como "re-habilitar" e "re-haver". Ocorre, entretanto, com esses termos o mesmo que ocorre com "coabitar": estão consagrados pelo uso e a colocação do hífen teria de fazer voltar uma letra há muito suprimida, num movimento antes de complicação que de simplificação. Assim, o próprio Acordo deixa claro que "reaver" e "reabilitar" não se separarão por hífen, mas silencia sobre "coabitar".

Hoje, a Academia Brasileira de Letras, instituição encarregada de editar o "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa" no Brasil, tende a sistematizar a grafia "coabitar" - em atenção à tradição da língua. Por outro lado, a grafia "co-herdeiro" (vigente no sistema antigo), embora atenda ao princípio estabelecido pelo Acordo, tende a ser alterada para "coerdeiro" - em flagrante desacordo com o texto oficial do Acordo, que arrola "co-herdeiro" entre os exemplos de "co-" seguido de hífen.

Resta aguardar a publicação do "Vocabulário" para ter a resposta definitiva para essa questão.

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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