
"Homem-forte de Uribe deixa gabinete de olho na sucessão"
O título jornalístico faz referência a Juan Manuel Santos, ministro da Defesa da Colômbia, que anunciou sua saída do cargo com o intuito de disputar a presidência do país na eleição de 2010.
A estrutura da frase-título leva a duas interpretações: quem está de olho na sucessão tanto pode ser o ministro ("homem-forte de Uribe") como o gabinete. É claro que a leitura da notícia, desde o parágrafo inicial, deixa explícita a interpretação desejada, mas isso não invalida o fato de que a frase está ambígua - e isso é um defeito de construção sintática.
O verbo "deixar" pode significar "abandonar" (sentido pretendido) ou "tornar", se tomado como transobjetivo ("Deixou-a feliz"). O que favorece a segunda leitura (inadequada) é o fato de o termo "gabinete" também poder ser tomado em diferentes sentidos: "escritório" (sentido pretendido) e "conjunto dos ministros de Estado" (sentido indesejado no contexto).
Assim, o ideal seria fazer a inversão da expressão "de olho na sucessão". Posta no início do período, incide apenas sobre o sujeito. Veja, abaixo, a sugestão:
De olho na sucessão, homem-forte de Uribe deixa gabinete