
"Zidan também não mostra a mesma aversão às câmeras de Zidane."
"Subprocurador se envolve em acidente de carro embriagado"
Mais uma vez, a ordem dos termos na frase faz diferença. Na linguagem falada, graças à entonação e aos gestos que acompanham as palavras, esse tipo de construção pode passar despercebido, mas, na página impressa, onde faltam os recursos extralingüísticos, é preciso redobrar a atenção à possibilidade de dupla leitura.
No primeiro caso, o jogador de futebol Zidan parece não ter aversão "às câmeras de Zidane". Por certo, o craque do futebol francês não se ocupa de fazer filmagens. O que se pretendia dizer é que o seu quase homônimo, Zidan, diferentemente dele, não tem aversão às câmeras. Bastaria mudar a posição de Zidane, que deveria aproximar-se da palavra "aversão" (aversão de Zidane às câmeras). A duplicidade de leitura ocorre porque tanto "aversão" quanto "câmeras" aceitam o complemento iniciado pela preposição "de".
No segundo caso, embora fosse absurdo imaginar um "carro embriagado", a construção sintática deixa a desejar, porque tanto o substantivo "carro" quanto o substantivo "procurador" admitem adjetivo ("embriagado") e a tendência é que o adjetivo se prenda ao substantivo que lhe é mais próximo. A melhor solução para o caso seria o recuo do adjetivo "embriagado" para o início do período, posição típica do predicativo do sujeito, função que o adjetivo assume quando exprime uma característica circunstancial do substantivo. Veja, abaixo, as duas construções:
Zidan também não mostra a mesma aversão de Zidane às câmeras.
Embriagado, subprocurador se envolve em acidente de carro.