
"Muricy foi comunicado de demissão nessa reunião, à noite."
A frase parece correta, mas, do ponto de vista da norma culta, o verbo "comunicar" na voz passiva não deve ter como sujeito uma pessoa.
Vamos entender o caso: comunicamos alguma coisa a alguém. Essa é a construção vernácula. Na voz passiva, o objeto direto (sem preposição), não o indireto, passa a sujeito do verbo. Assim, pode-se dizer que "alguma coisa foi comunicada a alguém", mas não se diz que "alguém foi comunicado". O verbo "comunicar" tem comportamento semelhante ao do verbo "dizer" (dizer algo a alguém).
A construção que se verifica na frase em epígrafe é relativamente comum, talvez em razão de cruzamento com a construção do verbo "informar", que admite duas regências. Pode-se informar algo a alguém ou informar alguém de algo. Assim, na voz passiva, podemos dizer que algo foi informado a alguém ou que alguém foi informado de algo.
Esse comportamento estendeu-se ao verbo "avisar", que, na origem, se construía com objeto direto de pessoa e indireto de assunto (avisar alguém de/ sobre algo). Hoje se usa também a construção "avisar algo a alguém".
Para corrigir o fragmento destacado, o caminho mais curto é a substituição do verbo "comunicar" pelo "informar". Veja, abaixo, a correção:
Muricy foi informado de demissão nessa reunião, à noite.