
"A medida foi reivindicada ontem no plenário por senadores adversários, que consideram que a hesitação de Sarney não é somente uma questão de estilo mas também de dívida de favores com o grupo de Agaciel Maia, colocado no poder pelo próprio peemedebista."
As questões de construção sintática são sempre mais delicadas. Às vezes, o leitor não percebe exatamente o que está impreciso no texto, mas, depois do ajuste, percebe o ganho em fluência.
No exemplo selecionado hoje, temos um caso de falta de paralelismo sintático. É bom lembrar que a estrutura "não só... mas também" (ou "não somente... como também" e variações) constitui um par correlativo, que relaciona elementos similares (dois substantivos, duas orações desenvolvidas, duas orações reduzidas etc.).
No fragmento acima, a sequência "não somente" foi interrompida pela forma verbal "é" e o elemento que se segue a "mas também" foi preposicionado ("de dívida"), em busca do paralelismo com o complemento do substantivo "questão" ("de estilo").
Ora, é o substantivo "questão" que pode ter dois complementos (questão de estilo ou questão de dívida). Se assim é, é depois dele que deve entrar o par correlativo: a hesitação de Sarney é uma questão não somente disto mas também daquilo. Agora, sim, o texto obedece ao padrão do paralelismo sintático, que o torna mais fluente e mais claro.
Veja, abaixo, o trecho reconstruído
A medida foi reivindicada ontem no plenário por senadores adversários, que consideram que a hesitação de Sarney é uma questão não somente de estilo mas também de dívida de favores com o grupo de Agaciel Maia, colocado no poder pelo próprio peemedebista.