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Pronome átono não deve iniciar frase; regência de "pedir"

Por Thaís Nicoleti

"Se limitou a pedir que Delcídio Amaral (PT-MS) demitisse uma sobrinha de sua mulher."

Duas questões emergem desse período: uma de colocação pronominal, outra de regência verbal. A de colocação pronominal é mais evidente porque observamos no texto escrito a reprodução da marca de oralidade representada pelo uso do pronome átono no início do período.

Muito se tem avançado no emprego dos pronomes átonos à maneira brasileira. Já não se seguem à risca os preceitos da gramática tradicional quando o assunto é a posição do pronome átono. Isso se deve ao fato de o português falado no Brasil obedecer um ritmo distinto daquele falado em Portugal e nos países africanos. Mesmo assim, ainda não se aceitam algumas mudanças consideradas radicais. É o caso da próclise em início de frase, tão comum na expressão oral.

A questão de regência, na frase destacada, é um tanto sutil. Alguém se limitou a pedir alguma coisa a outra pessoa. O objeto indireto (a pessoa a quem se dirige o pedido) deveria estar ligado ao verbo "pedir", não no interior da oração objetiva direta. O pedido endereça-se a Delcídio Amaral, mas o mesmo Delcídio Amaral é o sujeito da oração que funciona como objeto direto do verbo "pedir".

Em vez de deixar o verbo "pedir" sem o seu objeto indireto, o redator deveria deixar elíptico o sujeito da oração subordinada. Veja, abaixo, a nova construção:

Limitou-se a pedir a Delcídio Amaral (PT-MS) que demitisse uma sobrinha de sua mulher.

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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