
"A peça do Orçamento paulista de 2010 prevista para ser votada hoje na Câmara Municipal aponta a destinação de R$ 45 milhões para o sistema da prefeitura de atendimento aos cidadãos."
No fragmento acima, temos o particípio do verbo "prever" empregado de forma inadequada - pelo menos, se levarmos em conta que "prever" significa antever algum fato, algo projetado no futuro, como as célebres previsões astrológicas para o ano novo.
Dizemos, assim, que algo está previsto para algum momento (para quando?), não para "ocorrer" ou para qualquer outra ação. Na construção "peça do Orçamento prevista para ser votada hoje", a ideia era dizer que a votação da peça estava prevista para hoje. O que se observa nessa formulação é que o substantivo abstrato (que nomeia as ações, como "votação") foi substituído pelo verbo que indica a ação posto, na voz passiva, como complemento do verbo "prever" (para ser votado).
Talvez a origem do problema esteja na dificuldade de empregar o substantivo abstrato para indicar ações. Assim, lemos quase todos os dias frases como "O espetáculo está previsto para estrear amanhã" (no lugar de "A estreia do espetáculo está prevista para amanhã") ou "O resultado está previsto para chegar amanhã" (no lugar de "A chegada do resultado está prevista para amanhã").
Abaixo, duas sugestões de reformulação do trecho em questão:
A peça do Orçamento paulista de 2010 que deve ser votada hoje na Câmara Municipal aponta a destinação de R$ 45 milhões para o sistema da prefeitura de atendimento aos cidadãos.
A peça do Orçamento paulista de 2010 com votação prevista para hoje na Câmara Municipal aponta a destinação de R$ 45 milhões para o sistema da prefeitura de atendimento aos cidadãos.