
Vale a velha regra: o verbo “haver”, no sentido de “ocorrer” ou “existir”, fica no singular. Trata-se de um verbo impessoal, ou seja, de um verbo que não tem sujeito próprio, como ocorre com aqueles que nomeiam os fenômenos da natureza (ventar, chover, nevar etc.).
A regra é simples, mas a tendência à concordância com o objeto direto (confundido com sujeito) é bastante comum, como ilustra o trecho seguinte:
"...ele dava a impressão de buscar câmeras e holofotes onde houvessem câmeras e holofotes.”
É possível que a confusão se dê por causa da sintaxe do verbo “existir”. Com o mesmo valor semântico, “existir” tem sujeito e não tem objeto. Assim: “onde existissem câmeras e holofotes”. O que funciona como sujeito de “existir” (“câmeras e holofotes”) funciona como objeto direto de “haver”. Conclusão: “existir” vai para o plural, mas “haver” fica no singular. Assim:
... ele dava a impressão de buscar câmeras e holofotes onde houvesse câmeras e holofotes.
... ele dava a impressão de buscar câmeras e holofotes onde existissem câmeras e holofotes.
Convém lembrar que os auxiliares desses verbos seguem o seu comportamento. Daí serem corretas construções como “Deve haver câmeras e holofotes” e “Devem existir câmeras e holofotes”.