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Verbo haver permanece no singular

Por Thaís Nicoleti

Vale a velha regra: o verbo “haver”, no sentido de “ocorrer” ou “existir”, fica no singular. Trata-se de um verbo impessoal, ou seja, de um verbo que não tem sujeito próprio, como ocorre com aqueles que nomeiam os fenômenos da natureza (ventar, chover, nevar etc.).

A regra é simples, mas a tendência à concordância com o objeto direto (confundido com sujeito) é bastante comum, como ilustra o trecho seguinte:

 

"...ele dava a impressão de buscar câmeras e holofotes onde houvessem câmeras e holofotes.”

 

É possível que a confusão se dê por causa da sintaxe do verbo “existir”. Com o mesmo valor semântico, “existir” tem sujeito e não tem objeto. Assim: “onde existissem câmeras e holofotes”. O que funciona como sujeito de “existir” (“câmeras e holofotes”) funciona como objeto direto de “haver”. Conclusão: “existir” vai para o plural, mas “haver” fica no singular. Assim:

 

... ele dava a impressão de buscar câmeras e holofotes onde houvesse câmeras e holofotes.

 

... ele dava a impressão de buscar câmeras e holofotes onde existissem câmeras e holofotes.

 

Convém lembrar que os auxiliares desses verbos seguem o seu comportamento. Daí serem corretas construções como “Deve haver câmeras e holofotes” e Devem existir câmeras e holofotes”.

Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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