Cores na natureza: Camuflar, atrair parceiros, afastar inimigos

Assunto: Biologia, Ecologia

Cristina Faganelli Braun Seixas

O que seria das diferentes espécies que vivem em nosso planeta se não existissem as cores? Provavelmente eles não desenvolveriam diversos mecanismos para garantirem sua própria sobrevivência. As cores ajudam as espécies a escapar de um predador, a repelir algum animal, a atrair uma fêmea para o cortejo, ou a avisar o outro animal que quer parar com a disputa pela fêmea ou território, por exemplo.

Enfim, as cores nos atraem ou repelem conforme sua intensidade, seus diferentes tons e situações em que se apresentam e há ainda uma relação de dependência entre plantas e animais, através das cores, para a disseminação de sementes. Vamos ver alguns exemplos?

As cores nas plantas

Normalmente, uma planta atrai o inseto polinizador através de suas cores. A planta que não tem uma cor atraente precisa ser polinizada utilizando outros recursos, como por exemplo, o aroma que produz. Caso não conte com nenhum desses recursos, sua disseminação ocorre através do vento, como acontece com o dente-de-leão (Taraxacum officinale).

Enfim, a cor é de grande valia, pois além de atrair o agente polinizador (inseto, aves), o conduz para a região adequada da flor, que contém os grãos de pólen. Ao se alimentar, o animal o transporta para outras flores, promovendo assim a mistura do material genético e isto favorece o aumento da variabilidade genética.

Cores nos animais

No mundo animal, as cores favorecem o processo do cortejo, pois o pavão (pavo cristatus), por exemplo, realiza a dança nupcial, abrindo sua cauda de cores vibrantes, em tons de azul e verde, que despertam o interesse da fêmea. Ao perceber que a fêmea está interessada, o macho se vira, e ela vai para sua frente e isto se repete por várias vezes, numa dança que antecede o acasalamento.

Ter cores fortes e vibrantes, portanto, garante a reprodução dos pavões e, portanto, a transmissão dessas informações genéticas aos seus descendentes, favorecendo assim a perpetuação da espécie.

Por outro lado, existem os pavões albinos. Como eles se reproduzem, se não contam com o recurso das cores? Bem, o macho também se aproveita da sua grande cauda emplumada para conseguir a atenção da fêmea, mas, além disso, apela a uma espécie de "grito" e também realiza a dança de acasalamento. Afinal, para que haja o acasalamento propriamente dito, é necessário um conjunto de fatores (o famoso jogo da sedução, que os humanos também conhecem bem...).

Além da atração

Mas cores fortes não servem só para atrair. Também podem provocar repulsão. A cor vermelha, em especial, é um tipo de sinal de alerta, que pode significar: não se aproxime sou venenoso, ou tenho um gosto desagradável, por isso, é aconselhável não me comer.

Um bom exemplo disso, envolve o gênero Dendrobates, representado por pererecas de diferentes colorações intensas (amarelo, vermelho, azul ou verde, associadas ou não ao preto) que fazem os predadores não se arriscarem.

 

  • Coral verdadeira

Já se a cor vermelha estiver junta com as cores branca e preta, o perigo aumenta. O sinal quer dizer afaste-se, pois sou muito perigoso. A cobra coral verdadeira (Micrurus corallinus), é um exemplo bem claro desse poder. Em contrapartida, existe também a coral falsa (Erythrolamprus aesculapii), que se aproveita das mesmas cores para não ser predada, embora na verdade não ofereça risco algum, pois não é venenosa.

Camuflagem

Há ainda as cores crípticas, ou seja, aquelas cores de tons bege, cinza ou marrom, que normalmente as fêmeas apresentam, assim como seus filhotes. Isso lhes facilita se camuflarem no meio ambiente em que vivem, pois como a cor da terra ou das pedras é parecida com a de seu corpo, torna-se difícil avistá-los.

Para misturar-se ao ambiente em que vive, a rã de Budgett tem a cor marrom enlameada. Já a rã vietnamita (Theloderma corticale) tem a pele manchada para confundir-se com pequenos musgos de seu habitat.

Há também casos de mimetismo, ou seja, o animal possui características que o fazem ser confundidos com elementos de outra espécie. Por exemplo, o bicho-pau (Phiblossoma phyllinum) que apresenta a mesma cor e formato de um graveto e quando este se encontra nos troncos das árvores, normalmente passa desapercebido.

Enfim, está claro que as cores desempenham um papel importante para a comunicação entre os animais. Mas convém encerrar lembrando que esse fator não trabalha isoladamente. Existem também outras formas de chamar a atenção como, por exemplo, através do canto, das danças nupciais, do ferormônio (uma substância bioquímica). Tudo isto somado é que garante, uma melhor adaptação às condições de vida num determinado habitat.

 

 

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Cristina Faganelli Braun Seixas bióloga, é professora no Colégio Núcleo Educacional da Granja Viana.

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