Piranhas: Peixe carnívoro da Amazônia tem dentes como navalhas

Mariana Aprile

O sistema fluvial da América do Sul é o habitat das piranhas. A fama assustadora desses peixes excede o limite das águas dos rios em que vivem e ultrapassam as fronteiras dos países mundo afora. As piranhas pertencem à família Characidae e suas 36 espécies subdividem-se em cinco gêneros. A maior parte vive em cardumes, o que facilita caçar suas presas e dá proteção contra os predadores, como o jacaré.

Entretanto, a maior espécie, que atinge 40 cm de comprimento, a piranha-preta Serrasalmus rhombeus, é solitária.

  • A piranha-preta é a maior espécie desses peixes

Como as piranhas caçam?

As piranhas podem sentir o "cheiro" de uma gota de sangue em 200 litros de água. Também percebem as vibrações dos movimentos de animais feridos, em seu ambiente aquático. É assim que localizam suas presas.

Piranhas alimentam-se principalmente de outros peixes, mas não dispensam aves feridas, jovens sucuris e carcaças de animais. Por vezes, as piranhas ficam perto de suas vítimas, até que elas se acostumem com a sua presença, para então atacá-las. Mas elas não saltam das águas para morder pessoas nas praias, como se vê em filmes.

Dentes da piranha como navalhas

Os dentes das piranhas são como navalhas pontiagudas e de formato triangular. Eles são estreitamente ligados às mandíbulas poderosas. Isso explica a mordida capaz de arrancar pedaços de tecido muscular de uma só vez, exatamente do diâmetro da boca da piranha, que chega a dois centímetros.

Sua dentição não foi feita para mastigar, e sim para cortar e engolir. Por isso, quando um cardume faminto ataca, a carcaça da presa é devorada rapidamente.

Bois de piranha

Os relatos de bois devorados por cardumes de piranhas, são da época da seca, quando as águas dos rios recuam e deixam lagos sazonais. As piranhas aprisionadas nesses lagos tornam-se cada vez mais famintas e irritadas, podendo até atacar pessoas. Muitos boiadeiros sacrificam um animal do rebanho, para que os demais atravessem as águas em segurança: daí vem a expressão "boi de piranha".

Aumento de ataques de piranhas

Uma pesquisa, publicada em 2004, mostrou que o aumento do ataque de piranhas aos banhistas se deve à construção de represas que diminuem a vazão dos rios. Piranhas preferem se reproduzir em águas mais calmas e por isso houve um aumento em sua população.

O estudo foi realizado pelo médico Vidal Haddad Júnior e pelo zoólogo Ivan Sazima, da Unicamp, sobre os ataques de piranhas a pessoas, em Santa Cruz da Conceição, em São Paulo. Após o represamento do rio da região, o Mogi Guaçu, foram registrados 38 ataques em cinco finais de semana.

Ciclo reprodutivo das piranhas

Segundo Sazima, represar um rio pode aumentar dez vezes a população de piranhas ali existente. Mas os ataques também aumentam no verão, quando acontece o ciclo reprodutivo das piranhas. É a mesma época em que o número de banhistas nas praias dos rios é maior.

Para proteger seus filhotes, machos e fêmeas mordem os intrusos, como um sinal de alerta. "As piranhas estão dizendo: afaste-se de meu ninho", afirma o pesquisador da Unicamp.

O que fazer se for mordido por piranhas?

Se uma pessoa for mordida por uma piranha, o ferimento deve ser lavado com água e sabão, durante dez minutos, para evitar uma infecção bacteriana. Em casos de mordidas mais profundas, recomenda-se procurar um posto de saúde, para a assepsia da ferida e para tomar vacina antitetânica. Mesmo sem registro de morte humana provocada por ataques de piranhas, o melhor é ficar longe delas.

Importância ecológica e nutricional das piranhas

As piranhas, como todos os predadores, são importantes para o equilíbrio ecológico do ambiente. Elas contribuem para a limpeza das águas, pois devoram carcaças que, de outra forma, apodreceriam nos rios.

Seus dentes afiados são utilizados como pontas de flechas pelas tribos indígenas da Amazônia. O valor nutritivo desse peixe como alimento é aproveitado para a produção da sopa de piranha em pó, realizada por Edson Lessi, do Instituto de Pesquisas da Amazônia, em Manaus. "É uma forma de aproveitar um recurso abundante, mas pouco valorizado", diz Lessi.

Essa sopa foi desenvolvida a partir de um projeto de pesquisa para combater a fome, de maneira barata e acessível, entre as populações carentes.

Mariana Aprile é estudante de biologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie e aluna de Iniciação Científica do Mackpesquisa (PIVICK).pagina3@pagina3ped.com

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