Cadeia alimentar: Seres decompositores reciclam lixo orgânico

Maria Sílvia Abrão, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Os ecossistemas são todas as relações entre os seres vivos (fatores bióticos) ou não vivos (fatores abióticos) de um determinado ambiente. Os diversos ecossistemas da Terra são interdependentes, o que leva os cientistas a considerar como um único ecossistema toda a biosfera terrestre - região do planeta onde os seres vivos absorvem, transformam e circulam energia e matéria atualmente ou em algum momento do passado.

A cadeia alimentar é uma representação simplificada das relações alimentares entre os indivíduos de um ecossistema. Também de forma simples, a teia alimentar relaciona essas várias cadeias e representa as complexas possibilidades de consumo de alimento pelos seres vivos, inclusive, os organismos reaproveitados pelos decompositores após a morte ou perda de parte dos corpos.

 

Trajetória da matéria e da energia

A energia solar, captada e transformada pelos produtores, é devolvida ao meio na forma de energia térmica pelos próprios produtores, consumidores e decompositores. Os seres vivos utilizam a energia liberada dessa reação para realizar atividades físicas e reações químicas, bem como sintetizar substâncias. Parte dessa energia, entretanto, é perdida para o meio.

Podemos dizer que esse fluxo é unidirecional. Já a matéria é constantemente reaproveitada. As substâncias produzidas no processo de fotossíntese vão sendo transformadas em água e gás carbônico à medida que são utilizadas na respiração celular.

Alguns materiais são armazenados nos corpos dos seres vivos durante algum tempo, na forma de amido, gorduras e proteínas, antes de serem liberados e ficarem disponíveis novamente no ecossistema para serem reutilizados por outros seres vivos.

Em uma cadeia alimentar, os grupamentos atômicos das substâncias que compõem os seres vivos sofrem desarranjos e novos arranjos. Sua matéria não é perdida nem criada, é apenas transformada ao sofrer as diferentes reações químicas.

 

Desequilíbrio ecológico

Quando a quantidade de recursos de um ecossistema é compatível com a quantidade de indivíduos de cada população ocorre o equilíbrio ecológico. Esse equilíbrio é bastante delicado. Para destruí-lo, basta que ocorra uma alteração no ambiente físico ou no número de indivíduos. O homem interfere diretamente nos ambientes, provocando desequilíbrios, que podem devastar terras e transformá-las em deserto.

A população humana tem crescido barbaramente. Os homens concentram-se em cidades e produzem grandes quantidades de resíduos. O lixo é visto como aquilo que ninguém quer mais, uma coisa suja e inútil. Essa generalização produz uma visão equivocada, pois a maior parte dele é de matérias degradáveis (de fácil reutilização) e recicláveis pela indústria (como o vidro, papel e o plástico).

Os restos de alimento e o papel são formados por substâncias que são decompostas facilmente por seres vivos, como bactérias, fungos e outros agentes biológicos. Numa composteira industrial ou caseira, microorganismos decompositores vão transformar esses restos em um produto escuro rico em nutrientes denominado composto orgânico, que serve para adubar o solo.

 

Reciclagem do lixo orgânico

A composteira pode ser construída de várias maneiras: (a) uma caixa de madeira sem fundo e sem tampa, (b) grandes tubos, (c) um cilindro formado por tela plástica ou metálica, ou (d) um balde ou um tonel com vários furos no lado e no fundo. O importante é permitir a circulação de ar, por isso, as composteiras industriais giram constantemente, misturando os compostos e melhorando a circulação. Outro produto da compostagem é o biogás, o qual pode ser aproveitado pela própria usina.

Em casa pode-se fazer algo mais simples, preenchendo a composteira em camadas com restos de alimento, palha, terra, serragem. Para que os seres decompositores realizem seu "trabalho", é preciso colocar pequenas quantidades de água de tempos em tempos, e colocar a composteira em local sombreado, protegido das chuvas.

A reciclagem evita o acúmulo de lixo, diminuindo o mau cheiro, a necessidade de espaço para armazená-lo e a propagação de doenças. Além disso, economiza dinheiro, pois o reaproveitamento dos materiais é mais barato e conserva os recursos naturais.

Maria Sílvia Abrão, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é bióloga, pós-graduada em fisiologia pela Universidade de São Paulo e professora de ciências da Escola Vera Cruz (Associação Universitária Interamericana).

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