Sistema digestivo: Absorção de alimentos e eliminação de resíduos

Maria Sílvia Abrão, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
(Material atualizado em 11/11/2013, às 18h24)

Você já pensou sobre o que ocorre com os alimentos após entrarem em nosso corpo? Depois de comermos, vários processos transformam aquilo que ingerimos em um composto digerido, formado por partes diminutas que poderão passar pelas paredes dos nossos órgãos. Chamamos esses processos de sistema digestivo, ou sistema digestório.

Primeiro, quando levamos o alimento à boca, nós o cortamos, trituramos e dividimos cada vez mais com o atrito de nossos dentes. Esse trabalho assemelha-se ao de um liquidificador. O processo é auxiliado pela saliva, que umedece a comida e pela língua, que ajuda a misturá-la, formando o bolo alimentar.

Mas, por que há necessidade de triturar tanto os alimentos? Será que é somente para fazê-los passar por nossa garganta? Não. Na verdade, as substâncias químicas que realizam a digestão são conhecidas como enzimas e elas precisam entrar em contato com os grupamentos atômicos que formam os alimentos para poder desmontá-los. Assim, quanto menor for o pedaço de comida, maior será o contato da enzima com ele.

Da boca aos estômago

Na boca, a saliva já inicia o processo de digestão. A enzima amilase salivar (ptialina) "quebra" as grandes moléculas de amido (existentes nos carboidratos - pão, macarrão, etc.) em moléculas menores, de maltose. Da boca, o bolo alimentar desce pela faringe, pelo esôfago e chega ao estômago.

No estômago, onde ocorre produção de suco gástrico, a pepsina (outra enzima), em meio ácido (presença de ácido clorídrico), inicia a "quebra" das proteínas. Do estômago, o bolo alimentar passa ao intestino delgado, onde será banhado por sucos digestivos produzidos pelo pâncreas, pelo fígado e pela parede do intestino.

A primeira porção do intestino delgado é conhecida como duodeno (por ter cerca de doze dedos de comprimento). Nessa região a tripsina, uma enzima produzida pelo pâncreas, continua o processo de "quebra" das proteínas iniciado no estômago e a amilase pancreática continua o processo de digestão do amido.

  • Órgãos do sistema digestório

Processo digestivo

No duodeno se processa ainda a digestão das gorduras, onde a bile (fabricada pelo fígado e armazenada na vesícula biliar) é despejada e emulsifica a gordura. Ela transforma as "gotas grandes" de gordura em "gotas menores" (como o detergente faz na louça engordurada), aumentando a superfície de contato da lípase, uma enzima produzida pelo pâncreas, com as moléculas de gordura.

Assim, os lipídeos ou gorduras são transformados em componentes mais simples, os ácidos graxos e o glicerol, os quais podem passar pelas paredes dos intestinos.

A região seguinte do intestino delgado pode ser subdividida em jejuno (por ser encontrado geralmente vazio) e íleo (palavra de origem grega que significa voltear - onde o intestino delgado faz circunvoluções no interior de nosso ventre). Nessa região, as enzimas conhecidas como peptidases completam a transformação das proteínas em aminoácidos e a maltase (uma enzima produzida pela parede do intestino) transforma a maltose em duas moléculas de glicose. Outros açúcares também são digeridos nessa região.

Na porção final (íleo) ocorre a absorção das moléculas dos alimentos que já foram quimicamente transformadas pelas enzimas e assim são capazes de passar pela parede do intestino e ganhar o sangue, que distribuirá essas moléculas a todas as células do corpo. Nessa região, grande parte da água existente no bolo alimentar também é absorvida. Os restos alimentares não digeridos chegam ao intestino grosso, onde continua ocorrendo a absorção de água, e são formadas as fezes pastosas que saem do corpo através do ânus.

Maria Sílvia Abrão, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é bióloga, pós-graduada em fisiologia pela Universidade de São Paulo e professora de ciências da Escola Vera Cruz (Associação Universitária Interamericana).



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