Geografia: O que é e o que estuda?

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

O termo "geografia" é muito antigo. Remonta à Grécia clássica. No entanto, o conteúdo que se atribui a esse termo variou bastante ao longo dos séculos. Atualmente, a geografia vive um momento de questionamento de seus modelos tradicionais e de busca de novos caminhos metodológicos.

De qualquer modo, o entendimento contemporâneo que se dá à geografia a concebe como uma ciência sintética e empírica, que estuda a manifestação e o relacionamento dos fenômenos na superfície terrestre.

De fato, para entender a verdadeira dimensão e importância do homem, obrigatoriamente devemos compreender as rigorosas limitações que a natureza impõe à nossa existência. O lugar comum dos seres humanos é a superfície terrestre, ainda que os avanços tecnológicos nos tenham permitido ultrapassar as altas camadas da atmosfera, atingir a Lua e até outros planetas do sistema solar.

Estrato geográfico terrestre

Convém lembrar, contudo, que não são todas as áreas da superfície da Terra que servem de abrigo natural ao homem. Geleiras, oceanos, desertos, pântanos e montanhas elevadas são limites naturais que a humanidade pode superar com investimentos econômicos e tecnologia. Porém, isso só ocorrerá quando houver interesse político, científico ou ainda viabilidade econômica. Quer dizer, se houver uma necessidade premente de se conquistar espaço para as atividades socioeconômicas e políticas.

Nesse sentido, o espaço vital para a sobrevivência humana é claramente delimitado. Em "Fundamentos teóricos da moderna geografia física na interação de ciências sobre o estudo da Terra" (1968), o geógrafo soviético A.A. Grigoriev denominou esse espaço como estrato geográfico terrestre e o definiu como sendo limitado pela litosfera, como piso, e a estratosfera, onde se situa a camada de ozônio, como teto.

É nesse intervalo de poucas dezenas de quilômetros - que vai da parte superior da crosta terrestre até a abixa atmosfera - onde vivem naturalmente o homem, assim como os demais seres animais e vegetais. Esse é o palco onde as sociedades humanas se organizam, se reproduzem e promovem grandes alterações na natureza.

Vivendo e interferindo com a biosfera

O objeto máximo de preocupação da geografia - o homem e suas complexas relações, vivendo e interferindo com a biosfera - encontra-se nessa interface onde se encontram separados, de um lado, o núcleo terrestre, e de outro, a alta atmosfera e o espaço celeste do universo. A dinâmica que rege os fenômenos da natureza contidos no estrato geográfico é produto do confronto entre as forças geradas pela energia do Sol que atua na superfície terrestre, com a ajuda da atmosfera, e a energia interior da Terra, que age através da crosta terrestre ou litosfera.

A geografia de hoje visa a conhecer cada dia mais o ambiente natural de sobrevivência do homem, bem como entender o comportamento de nossas sociedades, nas suas relações com a natureza e nas suas relações socioeconômicas e culturais. Desse modo, a geografia se interessa em apreender como cada sociedade humana organiza e estrutura o espaço físico territorial diante dos limites impostos, por um lado, pelo meio natural, e, por outro, pela capacidade técnica, o poder econômico e os valores socioculturais.

Organização socioeconômica

Assim, é de absoluto interesse para o conhecimento geográfico essa intensa troca de conhecimentos, mercadorias e moedas que são determinadas tanto por necessidades naturais quanto por necessidades criadas pelo própria civilização contemporânea, as quais se ampliam e se tornam cada dia mais complexas.

São objetos do estudo geográfico a organização da sociedade na agricultura e na indústria, a dinâmica demográfica, o crescimento e a organização das cidades, suas causas e conseqüências. Além disso, a geografia contemporânea deve esmiuçar o que acontece com o crescente processo de distanciamento entre os interesses socioeconômicos e as necessidades de preservação dos recursos naturais.

Nas palavras de Jurandyr Luciano Sanchess Ross, da Universidade de São Paulo, "a procura de soluções alternativas para o desenvolvimento econômico, com justiça social e racionalização do uso dos recursos naturais que atenue os impactos ambientais, é o rumo a ser perseguido pelas sociedades atuais e futuras. Isso deve ser objeto de preocupação da geografia, ajudar a encontrar o caminho para o desenvolvimento sustentável".

Áreas de estudo

Finalmente, vale esclarecer que esses estudos podem ser delimitados por áreas, de modo que se pode falar em:

Geografia física o conjunto das disciplinas que estudam os componentes do meio natural, geomorfologia, climatologia, hidrologia, pedologia e biogeografia.
Geografia econômica estuda os fenômenos da produção, da troca, da circulação e do consumo de bens materiais e de serviços em sua dimensão espacial.
Geografia humana estuda os fenômenos relacionados à população – evolução demográfica e espacial da população, localização e forma de assentamentos dos grupos humanos e suas atividades (o que acaba englobando a geografia econômica).
Geografia regional ocupa-se do estudo monográfico de uma região ou de uma combinação de fenômenos no âmbito de uma região.
Geografia política ou geopolítica estuda a relação entre o espaço e o poder, ou entre o Estado e o território.


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