Imigração japonesa: Comunidades no Brasil e no mundo

Ronaldo Decicino

Atualizado 02/06/2010, às 9h30

O primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, em 18 de junho de 1908, o Kasato Maru, chegou ao porto de Santos, no Estado de São Paulo, trazendo 165 famílias que vinham trabalhar nos cafezais do Oeste Paulista. Essa viagem simboliza o marco inicial da imigração japonesa para o Brasil.

A aproximação entre Brasil e Japão teve início com a promulgação da Lei nº 97, de outubro de 1892, que permitia a imigração asiática. As negociações para estabelecer japoneses no Brasil culminaram no Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Japão-Brasil, firmado em novembro de 1895. Um dos objetivos do tratado era o de se conseguir mão-de-obra para a cafeicultura brasileira, especialmente em São Paulo.

Após 1908, nos primeiros sete anos, vieram mais 3.434 famílias (14.983 pessoas). Com o começo da Primeira Guerra Mundial (1914), a imigração explodiu: entre 1917 e 1940 chegaram mais 164 mil japoneses para o Brasil, sendo que 75% deles se dirigiram para São Paulo, já que o estado concentrava a maior parte dos cafezais.

A onda migratória japonesa para o Brasil trouxe, segundo a Embaixada do Brasil em Tóquio, 188.986 imigrantes no período que vai da chegada do Kasatu Maru até 1941. O fluxo migratório cessou quase que totalmente no final da década de 1950, contando-se, naquela época, quase 200 mil japoneses estabelecidos no país.

Estima-se que, atualmente, vivem cerca de 1 milhão e 500 mil descendentes de japoneses no Brasil. A imensa maioria reside no Estado de São Paulo (principalmente na capital e nas cidades de Mogi das Cruzes, Osvaldo Cruz e Bastos) e no norte do Paraná (municípios como Maringá, Assaí ou Londrina). Há também pequenas comunidades no Pará, atraídas inicialmente pelo cultivo da pimenta-do-reino.

Japoneses espalhados pelo mundo

É difícil calcular com precisão o tamanho das comunidades japonesas espalhadas, atualmente, pelo mundo. Todas as pessoas com ascendência nipônica são consideradas japonesas, independentemente de onde estejam ou de quem tenha sido seu último parente nascido no Japão. Por isso, o governo japonês não tem controle sobre o nascimento e a movimentação de todos os descendentes.

O que existe são estimativas feitas pelos países que recebem os imigrantes desde os primeiros fluxos emigratórios, iniciados no final do século 19, quando a Revolução Meiji deu início a uma modernização sem igual no país.

Estimativa de comunidades japonesas no mundo
 

  • Brasil

1 milhão e 500 mil (46%).
- Quando começaram a chegar: 1908.
- O Brasil precisava de mão-de-obra nas lavouras de café.

  • Estados Unidos

1 milhão e 200 mil (37%).

- Quando começaram a chegar: 1858.

- Os primeiros imigrantes japoneses foram trabalhar nos canaviais do Havaí. Em 1924, quase 300 mil imigrantes moravam nos EUA.

  • China

- 115 mil (3,5%).

- Quando começaram a chegar: 1894.

- Os japoneses chegaram, a princípio, para lutar por territórios como a Manchúria. Em 1932, o governo passou a incentivar a emigração, como intuito de, por meio da agricultura, criar raízes definitivas no país.

  • Canadá

- 85 mil (2,6%).

- Quando começaram a chegar: 1877.

- O objetivo dos japoneses era fugir da crise que se instalou no país ao final da Era Meiji. Em 1908, quando uma lei canadense restringiu a imigração nipônica, os nikkeis (descendentes de japoneses) chegavam a 18 mil.

  • Peru

- 81 mil (2,5%).

- Quando começaram a chegar: 1899.

- Trabalharam nas plantações de cana-de-açúcar e algodão, nos vales da costa central.

  • Reino Unido

- 51 mil (1,5%).

- Quando começaram a chegar: 1863.

- O objetivo principal é o estudo. Como conseqüência, o Reino Unido foi a porta de entrada da cultura japonesa no continente europeu.

  • Outros países: 6,9% do total de nikkeis espalhados pelo mundo.

 

  • Os japoneses que deixam o Japão para viver em outros países chamam-se isei. Os filhos de japoneses são chamados de nisei; os netos, sansei; e os bisnetos, yonsei.

Ronaldo Decicino é professor de geografia do ensino fundamental e médio da rede privada.



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