Terceiro Setor: ONGs, fundações e outras entidades empregam 20 milhões de pessoas

Ronaldo Decicino
(Atualizado em 06/01/2014, às 12h36)

  • José Cruz/ABr

Atividades ligadas ao Terceiro Setor ocupam mais de 5% dos postos de trabalho oferecidos no mundo, mas, em países como a Holanda, superam os 12%. Em números absolutos, o setor envolve, aproximadamente, 20 milhões de funcionários remunerados e cerca de 15 milhões de voluntários espalhados pelo mundo.

Nos países desenvolvidos, segundo dados da ONU, o Terceiro Setor movimenta cerca de 6% do PIB e emprega mais de 12 milhões de pessoas. As ações dessas entidades beneficiaram, durante a década de 1990, mais de 250 milhões de habitantes desses países.

No Brasil, o governo já cadastrou mais de 250 mil entidades do Terceiro Setor, que empregam cerca de 2 milhões de pessoas. Pesquisas do IBGE concluíram que 15 milhões de brasileiros doaram recursos para essas entidades. Há também cerca de 2 milhões de voluntários trabalhando nesse setor. Mas apenas 7% dos jovens brasileiros participam de alguma atividade voluntária - enquanto que, nos Estados Unidos, essa porcentagem chega a 62%.

A popularização da internet tem facilitado a divulgação do trabalho dessas entidades e a formação de redes de informação e solidariedade, acelerando o crescimento do número de trabalhadores voluntários e a arrecadação de dinheiro.

Para conhecer melhor o Terceiro Setor é preciso compreender como uma sociedade se organiza. Basicamente, toda sociedade comporta três setores:

  • Primeiro Setor: corresponde à vontade popular, que se manifesta por meio do voto e confere poder aos governantes;
  • Segundo Setor: corresponde à livre iniciativa, que opera o mercado e define parte da agenda econômica utilizando o lucro como instrumento;
  • Terceiro Setor: corresponde às instituições sem fins lucrativos, que geram bens e serviços de caráter público, como ONGs, instituições religiosas, clubes de serviços, entidades beneficentes, centros sociais, organizações de voluntariado, etc.

O que caracteriza cada setor em relação aos recursos financeiros:

  • Primeiro Setor: dinheiro público para fins públicos;
  • Segundo Setor: dinheiro privado para fins privados;
  • Terceiro Setor: dinheiro privado para fins públicos (nada impede, todavia, que o poder público destine verbas para o Terceiro Setor, já que um de seus deveres é promover a solidariedade social).

Principais personagens do Terceiro Setor

  • Fundações: são as instituições que financiam o Terceiro Setor, fazendo doações às entidades beneficentes. No Brasil, temos também as fundações mistas, que doam para terceiros e, ao mesmo tempo, executam projetos próprios. Nos EUA existem cerca de 40.000 fundações, sendo que a 10ª colocada tem 10 bilhões de dólares de patrimônio. No Brasil, a maior fundação tem 1 bilhão de patrimônio.
  • Entidades beneficentes: são as operadoras de fato. Cuidam dos carentes, idosos, meninos de rua, drogados, alcoólatras, órfãos, mães solteiras, etc. Protegem testemunhas; ajudam a preservar o meio ambiente; educam jovens, velhos e adultos; profissionalizam; ensinam esportes; combatem a violência; promovem os direitos humanos e a cidadania. Enfim, lutam para tornar mais digna a vida de algumas pessoas.
  • Fundos Comunitários (Community Chests): são muito comuns nos EUA. Ao invés de cada empresa doar para uma entidade, todas as empresas doam para um Fundo Comunitário, sendo que os empresários avaliam, estabelecem prioridades e administram a distribuição do dinheiro.
  • Entidades sem fins lucrativos: muitas entidades sem fins lucrativos são, na realidade, lucrativas ou atendem aos interesses dos próprios usuários. Um clube esportivo, por exemplo, é uma entidade sem fins lucrativos, mas beneficia somente os seus respectivos sócios.
  • ONGs - Organizações Não Governamentais: nem toda entidade beneficente ajuda prestando serviços diretamente a pessoas. Uma ONG que defenda os direitos da mulher fazendo pressão sobre governantes e legisladores está ajudando, ainda que indiretamente, todas as mulheres.
  • Empresas doadoras: das 500 maiores empresas brasileiras, somente 100 são consideradas parceiras do Terceiro Setor. Das 250 empresas multinacionais que têm negócios no Brasil, somente 20 contribuem para ONGs e outras entidades. Na verdade, pequenas e médias empresas formam o número maior de contribuintes.
  • Pessoas Físicas: as empresas contribuem somente com 10% da verba filantrópica global, enquanto as pessoas físicas, principalmente as de classe média, doam os 90% restantes. No Brasil, a classe média doa, em média, R$ 23,00 por ano, menos que 28% do total das doações. As fundações doam 40%, o governo repassa 26% e o resto vem de bingos, leilões e outros eventos beneficentes.
  • Imprensa: até 1995, a pouca cobertura que a imprensa fazia sobre o Terceiro Setor era, normalmente, negativa. Com a descoberta de que a maioria das entidades é séria, o setor ganhou respeitabilidade. Com isso, o número de notícias quadruplicou.
  • Empresas Juniores Sociais: nos últimos anos, alunos de universidades criaram esse tipo de empresas, por meio das quais ajudam diferentes entidades.

Ronaldo Decicino é professor de geografia do ensino fundamental e médio da rede privada.

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