Colonização dos EUA (1): Imigrantes fugiam de perseguições religiosas

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

No início do século 17, chegou à América do Norte a primeira grande onda de imigrantes da Inglaterra, embora a ocupação do território pelos europeus tenha começado desde o século 16. Os recém-chegados começaram a se estabelecer ao longo de mais de 2 mil quilômetros, de nordeste a sudeste do que hoje são os Estados Unidos. Razões de ordem política e geográfica deixariam esses imigrantes e seus descendentes limitados à região costeira do Atlântico Norte pelo menos até a segunda metade do século seguinte.

Ao sul desse território já havia florescentes colônias espanholas na Flórida e no México, e na região de Cuba e Antilhas. Ao norte, existiam dispersos domínios franceses, inimigos tradicionais da Grã-Bretanha, e alguns estabelecimentos militares britânicos. Na direção oeste, além de numerosas tribos indígenas dispostas a impedir a invasão de suas terras, os montes Apalaches e as florestas que os cobriam e se estendiam por trás deles eram obstáculos naturais dificilmente transponíveis.

Ao longo da faixa costeira, portanto, se fixaram as treze colônias britânicas. Ao norte, fundaram-se Massachusetts, Connecticut, Rhode Island e New Hampshire. No centro, estabeleceram-se Nova Jersey, Pensilvânia, Delaware e Nova York, sendo esta um antigo povoado holandês recolonizado pelos ingleses. Ao sul, foram implantadas a Virgínia, Maryland, Carolina do Norte e Carolina do Sul, e a Geórgia.



Perseguições religiosas

O que buscavam os imigrantes e colonizadores no selvagem continente? Em primeiro lugar, o século 17 caracterizou-se, na Grã-Bretanha e em grande parte da Europa, pelas grandes agitações políticas e perseguições religiosas, além de uma grave crise econômica. Para fugir de conflitos e rebeliões, para poder alcançar alguma liberdade religiosa, ou ainda para ter melhores oportunidades econômicas num mundo novo, muita gente se arriscou a deixar o continente europeu.

Não foi, entretanto, o governo inglês quem bancou essa grande aventura. Pelo contrário, os colonizadores receberam o patrocínio de companhias particulares, que visavam ter lucros com a exploração dos novos territórios. Duas colônias, Virgínia e Massachusetts, foram fundadas por empresas organizadas, nas quais investidores equipavam, transportavam e mantinham os colonizadores.

Em Connecticut, por exemplo, os próprios imigrantes financiavam o transporte e equipamento para seus familiares e empregados. Em outras colônias, seus proprietários - membros da nobreza inglesa que haviam recebido terras do Rei - adiantavam fundos para estabelecer arrendatários em seus domínios da América.



Além dos ingleses

Para garantir um número maior de imigrantes e assim a mão-de-obra necessária para desenvolver as colônias, outros recursos foram empregados, incluindo promessas de vida num paraíso terrestre ou o simples sequestro. Para os imigrantes pobres, o mais comum era a troca de despesas de transporte e manutenção por serviços, obrigando-se o imigrante a trabalhar por um certo número de anos para a companhia que o financiara. Uma vez encerrado esse prazo, ele estava livre e recebia um lote de terra.

A partir de 1680, geralmente em virtude das guerras ou da pobreza, imigrantes de outros países começaram a chegar. Vinham da Alemanha, Irlanda, Escócia, Suíça e França, aumentando a população norte-americana que, nessa década e na seguinte, chegava a 250 mil pessoas. Esse número dobrou a cada 25 anos. Assim, em 1775, a população das colônias chegava a 2,5 milhões de pessoas.



Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação



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