Morfologia e sintaxe: A escolha das palavras e a questão da regularidade

Assunto: Inglês

Celina Bruniera, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Antes de apresentarmos as respostas da atividade solicitada em Sufixos e prefixos, forneceremos um quadro que pode servir de base para uma revisão de suas respostas.


Pense, primeiro, na palavra unimaginative. Ela é composta por uma raíz (imagine), por um sufixo (ive), que lhe dá o caráter de adjetivo, e por um prefixo (un), que lhe garante o sentido de oposição. Veja que prefixos e sufixos podem alterar bastante o sentido de uma palavra. O quadro apresenta os prefixos e sufixos mais comuns em inglês e suas funções:

Prefixes meaning example
un- opposite uncomfortable
in- opposite inconvenient
over- too much overtired
Suffixes meaning example
-less without useless
-ive adjective productive
-able adjective countable
-ible adjective flexible
-ous adjective delicious
-ly adverb slowly

Agora, de posse desse quadro explicativo, faça uma revisão de sua atividade você mesmo. Depois, compare com as respostas sugeridas.

Children are very creative. (create)
1. Paul is extremely hardworking. (extreme)
2. He didn’t like the cake. It was most unpleasant. (pleasant)
3. She was sacked from her job because she was inefficient. (efficient)
4. John was arrested because he was driving carelessly. (care)
5. It was very unkind of him not to help you. (kind)
6. My girlfriend likes the colour green, but I find it unattractive. (attract)
7. He’s a luck man. He’s been happily married for ten years. (happy)
8. I bought a new computer. The other one was so unreliable. (rely)
9. The dancer was superb. She gave a faultless performance. (fault)
10. The passengers were frightened when the pilot flew dangerously close to a building. (danger)

Você deve ter notado que apenas conhecer os sufixos e prefixos mais comuns da língua inglesa não garante que a atividade seja feita corretamente. Para que isso seja possível, é preciso associar a isso seus conhecimentos de morfologia e sintaxe.

Observe o exemplo dado: Children are very creative. (create) A palavra fornecida como pista é um verbo to create. Uma análise em termos sintáticos nos daria children como sujeito, verbo to be (are) e uma qualidade para esse sujeito, um predicativo do sujeito (very + ?).

Se very é um advérbio (e aí entra seu conhecimento morfológico), depois dele teremos um verbo ou um adjetivo, já que um advérbio modifica (ou intensifica) o sentido de um verbo ou de um adjetivo. Para qualificar o sujeito, precisamos de um adjetivo. É ele que imprime qualidade ao sujeito.

Usar o dicionário
Portanto, faz-se necessário transformar a palavra create num adjetivo. Há várias possibilidades como o quadro sugere. E, então, não temos escolha a não ser usar o dicionário e ver como de um verbo to create fazemos seu adjetivo.

Analisemos, agora, John was arrested because he was driving careless. (care) A palavra dada como pista pode ser um verbo (to care) como pode ser um substantivo (care). Depende do contexto em que ela estiver sendo empregada.

Se analisarmos o período após a conjunção because (um conector que busca dar uma explicação, revelar uma relação entre causa e consequência), veremos um sujeito (he) e um verbo de ação (to drive) no past continuous.

Explicação para o fato
A pista dada nos sugere que o complemento não pode ser um substantivo, por exemplo, a palavra care (cuidado). Se ela fosse usada, o enunciado não faria sentido. Para que o período seja coerente seria preciso, inclusive, dizer o contrário, já que John foi preso (John was arrested) e o que se busca na sequência do período é dar uma explicação para esse fato.

Pensemos, então, na possibilidade de usarmos um advérbio que nos diria como John estava dirigindo. Nesse caso, o período ficaria coerente se o advérbio indicasse que John não estava dirigindo com cuidado, ou seja, estava dirigindo sem cuidado. Há um sufixo que pode fazer com que a palavra care ganhe esse sentido: less, sendo a resposta careless. Nesse caso, o quadro pode ajudá-lo a resolver o problema.

Regularidade
Note que o uso dos sufixos e prefixos depende muito mais de um contato rico com a língua do que decorar regras. Lendo ou ouvindo bons textos, podemos nos aproximar do sentido que o uso dos prefixos e sufixos dão às palavras.

A única atitude que bem-vinda é aquela que comentamos no outro texto sobre o assunto. É bom conhecer as regularidades para tentar elaborar hipóteses sobre os usos dos prefixos e sufixos e, claro, checar sempre para saber se a hipótese se verifica.

Celina Bruniera, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é mestre em Sociologia da Educação pela USP e assessora educacional para a área de linguagem.



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