Variedades linguísticas (2): O inglês britânico e o americano

Assunto: Inglês

Celina Bruniera, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Já falamos da existência de variedades linguísticas. Nosso tema era, basicamente, a importância de considerarmos os diferentes usos que pessoas, grupos e povos fazem do inglês, na medida em que, ao nos aproximarmos dos usos que as pessoas fazem da língua, também estamos nos aproximando de diferentes culturas, de outras formas de ver mundo e de conceber os outros e as coisas.

Temos dois tipos de variedades linguísticas: os dialetos e os registros ou estilos. Quando falamos de dialetos, nos referimos às variedades que ocorrem em função das pessoas que usam a língua (os sujeitos que elaboram os enunciados) e quando falamos de registros ou estilos, às variedades que acontecem em função do uso que se faz da língua (como nos dirigirmos aos nossos interlocutores, isto é, a quem os enunciados que elaboramos se destinam).

Dialeto e registro
Pode ser um exemplo de dialeto regional ou territorial o fato de os norte-americanos não usarem have got para expressar posse como o fazem os britânicos. Eles preferem fazer uso apenas do verbo to have. Nesse caso, temos um exemplo de dialeto porque vale o uso que os norte-americanos fazem da língua. Um exemplo de registro formal (que indica o grau de formalidade do texto) pode ser o uso de I look forward to hearing from you para finalizar alguns tipos de cartas e não I am looking forward to hearing from you, que serviria apenas para cartas informais. Nesse caso, temos um exemplo de registro porque vale adequar a linguagem ao interlocutor, ou seja, a quem a carta é endereçada.

EUA e Grã-Bretanha
Nesse momento, vamos enfocar a questão dos dialetos regionais ou territoriais para conhecer um pouco mais das diferenças entre o inglês britânico e o norte-americano.

As variedades linguísticas dialetais registradas até então podem ser classificadas em seis dimensões: a regional, a social, a de idade, a de geração, a de sexo e a de função. A dimensão regional procura enfocar a variação que ocorre entre pessoas de diferentes regiões onde se fala a mesma língua. É o caso do uso que se faz do português aqui no Brasil, em Portugal e nos países de língua portuguesa, isto é, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Em relação à língua inglesa, temos como exemplos de variedades dialetais regionais o uso do inglês nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e na Nova Zelândia. A variação linguística nesse caso decorre das influências que cada região sofreu durante a sua formação. Trata-se, mais especificamente, de países que surgiram a partir da colonização inglesa.

Diferenças
Claro que no interior de cada um desses países encontramos diferenças entre o uso que se faz da língua nas mais diversas regiões. Geralmente, essas diferenças regionais recaem sobre a pronúncia, a entonação, o uso de palavras diferentes para dizer a mesma coisa ou o uso das mesmas palavras para designar coisas diferentes, entre outras.

Vejamos outros exemplos do uso diferente que ingleses e norte-americanos fazem de sua língua. A palavra quite (advérbio) é usada pelos ingleses no sentido de enfatizar o significado do adjetivo a que se refere, por exemplo: the room is quite large. Já os norte-americanos não atribuem a quite esse sentido. A palavra quite para eles significa completely.

Um outra diferença diz respeito ao uso do artigo definido (the) antes da palavra hospital. Os ingleses não usam o artigo, já os norte-americanos preferem usá-lo. Assim, temos como exemplo: a man was taken to hospital (variedade inglesa) e a man was taken to the hospital (variedade norte-americana).

Celina Bruniera, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é mestre em Sociologia da Educação pela USP e assessora educacional para a área de linguagem.

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