Classes numéricas: Por que os números são separados por pontos

Roberto Perides Moisés e Luciano Castro Lima, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Você já deve ter reparado que, na hora de escrever números extensos, depois de três dígitos, coloca-se um ponto? Assim: 3.789, ou 5.110.900. Esses pontos separam "classes de números" Este é o princípio da classificação: três ordens numéricas seguidas, da direita para a esquerda, compõem uma classe. Todas as ordens são classificadas sucessivamente de três em três.

No sistema decimal, o que utilizamos normalmente, a primeira classe é chamada de classe das unidades simples; a segunda de classe dos milhares (mil); a terceira de classe dos milhões; a seguinte classe dos bilhões; a próxima será a classe dos trilhões e assim por diante.

  • Cada classe é lida separadamente e da mesma forma - primeiro as centenas, depois as dezenas e por fim as unidades,

    246 lê-se duzentos e quarenta e seis

    2 4 6
    Só então completa-se com o nome da classe onde estão estas três ordens.

    246 000 lê-se duzentos e quarenta e seis mil (ou milhares)

    2 4 6 0 0 0

    246 000 000 lê-se duzentos e quarenta e seis milhões

    2 4 6 0 0 0 0 0 0

    Sempre que falarmos um número sem indicarmos a sua base esta deverá ser entendida como decimal.

    Se as ordens vêm sem indicação de classe (alguma marca que indique as três ordens da classe) não conseguimos distingui-las. Por exemplo, o numeral 84938 é difícil de ser lido imediatamente. Mas quando as classes vêm separadas por um espaço, como é convencionado - 84 938 - a nomeação das classes fica facilitada.

    A dificuldade visual inicial de apanhar as duas classes nas cinco ordens juntas é superada quando, respeitando o nosso senso numérico, separamos as ordens de três em três. Por isto, quando vamos escrever o número devemos separar as suas classes por espaços se quisermos que os outros o leiam com facilidade.

    Geralmente os preços que vêm num anúncio ou num contrato, vêm em numerais sem diferenciação de classe. O vendedor não quer assustar com o tamanho do número que, "por acaso", coincide com o do preço. Nesses casos convém, como faziam os nossos cuidadosos avós, fazer a leitura marcando as suas classes com um ponto:

    8 4 . 9 3 8
    Os matemáticos aboliram este ponto porque diziam que ele induzia à multiplicação. Mas quem prefere não ser induzido a fazer uma má compra pode manter o ponto marcador sem confundi-lo com o da multiplicação.
     
  • Por fim é necessário lembrar que a escrita hindu foi inventada para a base decimal. Daí os dez algarismos:
    0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
    Se tivéssemos oito dedos nas mãos, muito provavelmente a base de numeração seria oito e oito, também, seriam os algarismos inventados
    0 1 2 3 4 5 6 7
    Se tivéssemos doze dedos a base seria doze e os algarismos idem
  • 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 @ &
    A base escolhida que já tinha se tornado uma abstração no ábaco, torna-se, na escrita hindu, uma abstração da abstração. A base está embutida (ou abstraída) no próprio numero de algarismos. Quando se fala, escreve e pensa um número a sua base não vem indicada explicitamente, pois deve "automaticamente" ser entendida como decimal.
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  • Roberto Perides Moisés e Luciano Castro Lima, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação são, respectivamente, mestre em educação matemática (USP) e prof. do Col. Santa Cruz e das Universidades Sumaré e São Judas, e coordenador de matemática do Ceteac - Centro de estudos e trabalho em educação e cultura.

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