Análise sintática - sujeito: Método prático para descobrir esse termo da oração

Jorge Viana de Moraes, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

As aulas de análise sintática não deveriam ser aulas de tortura. Infelizmente, em muitos lugares ainda são. Esse tipo de estudo já ficou tão estigmatizado que existem até poemas dedicados ao seu tema - inclusive bem humorados e não menos críticos em relação ao tipo de ensino que se faz(ia) em sala de aula. Vejamos um dos mais conhecidos, escrito pelo poeta curitibano Paulo Leminsky:

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

(Poema extraído do livro Caprichos e relaxos de Paulo Leminsky.
São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 144).

 

Apesar de parecer o contrário, as aulas de análise sintática podem ser muito interessantes e até mesmo prazerosas, quando feitas com uma certa lógica relacional e não apenas com a forçosa e tradicional "decoreba".
 

Como descobrir o sujeito

Por exemplo, no estudo dos termos básicos da oração existe um método prático para descobrirmos o sujeito. Assim:

Sujeito é todo termo da oração (substantivo ou palavra substantivada) não antecedida por preposição que puder ser trocado por ele(s) ou elas(s), num sistema de pergunta e resposta.

Dessa f orma, considere o seguinte enunciado: Chegaram os artistas à cidade. Agora, transforme-o em uma pergunta: Chegaram os artistas à cidade? Pergunta que nós mesmos responderemos, fazendo a permuta de quem chegou pelo pronome condizente. Depois, copiamos o restante da oração. Conforme o exemplo abaixo:

Chegaram os artistas à cidade (?)
Sim, eles (sujeito) chegaram (verbo) à cidade.

Como se vê, aquilo que o pronome substituiu é o sujeito da oração, não importando a sua extensão. Para comprovar isso, observe o enunciado a seguir:

  • Já começou a distribuição de figurinhas autocolantes premiadas do novo álbum do Batman.

    Transformando-o em uma pergunta para ser respondida de acordo com o esquema estudado:

    Já começou a distribuição de figurinhas autocolantes premiadas do novo álbum do Batman?
    Sim, ela já começou. Ela quem? A distribuição de figurinhas autocolantes premiadas do novo álbum do Batman. Assim, todo o termo que o pronome ELA substituiu nessa oração é o sujeito. Por sinal, um sujeito bem extenso!

    Algumas observações

    a) Observe que sempre o núcleo do sujeito não pode ser antecedido por preposição.

    b) O pronome reto concorda sempre em gênero e número com o núcleo do sujeito.

    c) Todo termo não substituído pelo pronome reto deve ser repetido nas resposta.

    d) Observe como o sujeito expresso na oração coincide morfologicamente com um substantivo, palavra substantivada ou sintagma nominal.

    Portanto, a base morfológica do sujeito, em Língua Portuguesa, é sempre substantiva.

Jorge Viana de Moraes, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é mestre em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É professor no curso de Letras da Faculdade de Itapecerica da Serra.

Bibliografia

  • Prática de morfossintaxe: como e por que aprender análise (morfo)sintática, de Inez Sautchuk. Barueri, SP: Manole, 2004.


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