Capilaridade: A passagem natural do líquido por um tubo muito fino

Fábio Rendelucci

Você já observou gotas de chuva no pára-brisas de um automóvel? Já enxugou um pouco de água sobre uma mesa com papel absorvente ou guardanapo? Já pensou em como uma planta consegue conduzir os nutrientes desde sua raiz até as folhas? Tendo ou não pensado nisso, você já deve estar supondo onde estamos querendo chegar: na explicação disso, ou seja, na capilaridade.

Capilaridade é a subida (ou descida) de um líquido através de um tubo fino, que recebe o nome de capilar. Esse fenômeno é resultado da ação da interação das moléculas da água com o vidro (considerando que o tubo é de vidro). Essa interação depende de alguns parâmetros como o diâmetro do tubo (quanto mais fino, maior a aderência), o tipo de líquido e sua viscosidade, que, por sua vez depende da temperatura (mais quente, menos viscoso).

Isso se dá mais ou menos da seguinte forma: as moléculas do líquido são atraídas pelas moléculas do tubo por causa das interações intermoleculares. Desse modo, o líquido fica "grudado" na parede.

A ação da atração

O que faz com que ela - a água - suba é o seguinte: a molécula do tubo que está imediatamente acima da superfície do líquido atrai o líquido que começa a subir alinhando-se a essa molécula que o atraiu. Quando isso acontece, a molécula imediatamente acima começa a atrair o líquido e o ciclo se repete.

Você já vivenciou esse fenômeno de algum modo, mas talvez não se lembre ou não tenha percebido. Faça o seguinte: derrame um pouco de água sobre uma superfície lisa, peque um guardanapo de papel e segure-o de modo que apenas sua ponta mergulhe na poça. Observe como a água vai "subindo" para o guardanapo e a poça diminuindo. Veja que o fenômeno de capilaridade não está restrito aos tubos de vidro, acontece também com guardanapos.

Segunda experiência: derrame mais um pouco de água na superfície lisa só que dessa vez perto da borda. Mergulhando seu dedo na água, faça um pequeno caminho para que ela escorra pela borda. Veja que a água que está caindo vai "puxando" a água da poça até que ela diminua consideravelmente. Isto não é capilaridade, mas mostra claramente a ação das forças intermoleculares existentes na água e como uma molécula consegue influenciar a outra. Lembre-se que na água essas forças são do tipo pontes de hidrogênio, extremamente fortes.

Se você já teve a oportunidade de fazer alguma experiência em um laboratório de química e aprendeu a fazer leitura de volumes em provetas, se lembra que existe um "menisco", uma pequena curvatura que se forma junto às paredes da proveta. O que causa esse menisco é a capilaridade.

Uma dica para casa: quando você recebe flores e vai colocá-las em um vaso com água, mergulhe os cabos na água e corte-os em um ponto que esteja submerso. Isso evita a entrada de ar nos "tubos" existentes nos caules que causam interrupção no fluxo de água que sobem por eles (por capilaridade). Se você fizer isso e o fluxo se mantiver, a água conseguirá chegar até as flores, que certamente vão durar mais!

Fábio Rendelucci é professor de química e física e diretor do cursinho COC-Universitário de Santos (SP).



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