
É importante conhecê-las pois são as perguntas - mais do que as respostas - que dão origem ao conhecimento.
Para esse filósofo, existem seis perguntas básicas, que se agrupam em três eixos de pólos opostos. Essas perguntas, invariavelmente, foram sempre formuladas. Já as tentativas de respostas variaram muito, de acordo com a época e o lugar onde foram propostas.
| 1o.
eixo: Origem-fim Ninguém jamais soube onde e quando o conjunto da realidade começou nem como ou quando vai terminar. Na Antigüidade ou ainda nas tribos de índios que subsistem hoje em dia, as questões sobre a origem e o fim são respondidas por meio de mitos cosmogônicos, ou seja, de narrativas mágicas ou fantásticas. As religiões, por sua vez, também têm suas respostas, que remetem à criação por uma Entidade suprema. Quanto à ciência contemporânea, ela recorre à imagem do Big-bang, construída a partir da observação e da especulação dos físicos, mas é impossível garantir que a ciência do futuro terá essa mesma visão. 2o. eixo: Natureza-sociedade “A natureza pode aparecer como um pesadelo temível ou como seio materno acolhedor. A sociedade pode ser lar ou prisão, fraternidade ou guerra”, diz Olavo de Carvalho. De qualquer modo, até o momento, o ser humano não conseguiu harmonizar os dois termos, nem compreender um deles sem fazer referência ao outro. 3o. eixo: Imanência-transcendência Contudo, cada homem e cada civilização
também pressente a existência de algo que, acima do mundo
ou do fundo do fluxo dos acontecimentos, faz com que as coisas sejam o
que são e não de outro modo. Esse algo, que está
além, que transcende a realidade sensível, pode
ser o Deus dos religiosos, o absoluto metafísico dos filósofos,
ou a auto-regulação de coincidências físico-químicas
dos cientistas. |
E Olavo de Carvalho conclui:
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“Cada
um dos pólos é uma interrogação, um misto
de ignorância e conhecimento, um foco de tensões espirituais.
Cada um articula-se com seu oposto, num mútuo esclarecimento –
ou multiplicação – de tensões. R no ponto de
intersecção dos três eixos, como nas três direções
do espaço, fixado na estrutura da realidade como Cristo na cruz,
está o ser humano.
(Para uma antropologia filosófica, Olavo de Carvalho,
artigo publicado no jornal "O Globo", do Rio de Janeiro, em
19/07/2003). |
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