O nome "
Boitatá" é composto pelos substantivos tupis "mboi", que significa "cobra" e "tatá", que quer dizer fogo. "
Boitatá", portanto, equivale a "cobra de fogo". É um dos primeiros mitos indígenas a ser documentado pelo colonizador europeu, no caso o padre
José de Anchieta, que em uma de suas cartas fala de um "fantasma", com a forma de "um facho cintilante" que ataca os indígenas e os mata.
Com certeza, o mito impressionou especialmente os europeus, dando origens a diversas lendas mestiças ou caboclas do
nosso folclore, segundo as quais o
Boitatá é o espírito de pessoas que não foram batizadas, ou ainda almas penadas, ou mesmo o filho da união de irmãos ou compadres. Também há variantes do mito que apresentam o
Boitatá como uma entidade que defende os campos contra aqueles que os queimam para prepará-los para o plantio.
Já que se trata de uma serpente de fogo, os estudiosos crêem que o
Boitatá pode ser explicado por um fenômeno natural: o fogo-fátuo, luz que aparece à noite, geralmente emanada de terrenos pantanosos ou de sepulturas, e que é atribuída à combustão de gases provenientes da decomposição de matérias orgânicas.
Semelhante ao
Boitatá e, às vezes, confundido com ele, há o mito da
Boiúna, característico da região amazônica, segundo o folclorista
Luís da Câmara Cascudo. Novamente, trata-se de um nome composto: "mboi" = "cobra" e "una" = "preta". Daí que a
Boiúna é, de fato, a sucuri ou a jibóia dos rios amazônicos. Entretanto, isso não impede que ela entre para o imaginário com características sobrenaturais.
A
Boiúna é geralmente apresentada como uma serpente má, que ataca e devora os seres humanos. Segundo as lendas, à noite, seus olhos são como duas tochas que aparecem no rio para desorientar os navegantes. Quem a vê fica cego, quem a ouve fica surdo, quem a segue fica louco.
Além disso, a
Boiúna pode adquirir diversas formas, desde uma simples nuvem de vapor até um grandioso navio. Desse modo, mais uma vez ela engana quem trafega pelas águas do rio e provoca sua ruína. Nesse sentido, a
Boiúna pode ser identificada como uma entidade protetora das águas.
Criatura semelhante a
Boiúna, eventualmente a mesma criatura, também aparece em nosso folclore com outras designações, como a de Cobra-Grande e Cobra-Maria.
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