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Haiti (2)

Brasil comanda missão da ONU no país

Luiz Carlos Parejo*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Divulgação/Exército Brasileiro

O Brasil comanda as tropas da ONU que visam restabelecer a ordem no Haiti

O Haiti está localizado na América Central insular (Grandes Antilhas), na parte oeste da ilha La Hispaniola. O país apresenta o pior IDH - Índice de Desenvolvmento Humano - das Américas e um dos piores do mundo (só está a frente de alguns países africanos). Possui uma população de quase 8,6 milhões de habitantes (projeção de 2006) com 96% formada por população negra ou mestiça (brancos e negros).

A ocupação européia foi feita inicialmente pela Espanha. A partir de 1697, o território foi dominado pelos franceses, que implantaram a agricultura canavieira com a mão-de-obra escrava vinda da África. Embora tenha se tornado independente em 1804, o Haiti sofreu invasões da Espanha e dos EUA (1915 a 1934).

Papa Doc e Baby Doc

Em 1957, François Duvalier (chamado Papa Doc) foi eleito presidente do Haiti e criou a Milícia de Voluntários da Segurança, cujos membros, mais conhecidos como Tonton Macoutes ("bichos papões", no dialeto local), eliminaram a oposição. Iniciou-se, então, um regime ditatorial baseado no terror, inclusive com elementos do sobrenatural: o vodu passou a ser usado para amedrontar a população descontente e ameaçar a Igreja.

Com a morte do Papa Doc, em 1971, seu filho Jean-Claude Duvalier (ou Baby Doc) assumiu o poder e continuou com os mesmos métodos de controle e repressão. O desgoverno ditatorial gerou aumento do desemprego e da pobreza. A insatisfação popular cresceu a ponto do Baby Doc ser forçado a abandonar o país em 1986.

Uma junta governou o país até as eleições de 1990, vencidas pelo padre de esquerda Jean Bertrand Aristide que sofreu um golpe de Estado e se refugiou no Canadá. Muitos refugiados se dirigiram aos EUA e países vizinhos, o que levou o governo norte-americano de Bill Clinton e a ONU a reivindicarem o retorno de Aristide ao poder.

A Era Aristide

Ao retornar ao Haiti, Aristide dissolveu o exército haitiano e governou até 1995, quando elegeu o seu sucessor: René Prèval. Nas eleições de 2000, Aristide venceu novamente, com 92% dos votos, e o seu partido ganhou todas as cadeiras de deputados e senadores em disputa.

Porém, em 2004 o Haiti possuía cerca de 70% da sua população desempregada, o mandato dos deputados e senadores se encerrou sem novas eleições e Aristide governava por decretos. A oposição ao seu governo aumentou e armou-se, começou uma luta armada e Aristide deixou o país (retirado pelos EUA, à força).

Tropas da ONU

No mesmo ano, a ONU enviou tropas com soldados do Chile, EUA, Canadá e França e instalou um governo provisório. O Conselho de Segurança da ONU instituiu a Operação Minustah (United Nations Stabilization Mission Haiti), para garantir a segurança e as condições estáveis de modo a restabelecer um processo político e constitucional no país. O comando das tropas foi confiado ao Brasil.

A Operação Minustah visa ajudar o governo transitório, na reforma de sua polícia nacional e em programas de desarmamento de grupos paramilitares e bandidos. O Brasil enviou cerca de 1.200 soldados para o Haiti e assumiu o comando das tropas das ONU (cerca de 8.360 soldados de 40 países).

O Brasil em ação

Em 2006, o general brasileiro Urano Teixeira da Matta Bacellar se suicidou. O suicídio teria sido causado pela falta de perspectiva de solução dos conflitos internos no Haiti (pois eles deixaram de ser políticos e os problemas sociais ganharam maior importância): desemprego em torno de 80% da população, desestruturação social, aumento da violência e a falta de ajuda internacional.

Para o Brasil, o comando das tropas da ONU é visto como uma forma de o país pleitear um assento no conselho de segurança da ONU, ganhar experiência na luta contra o crime em favelas do Rio de Janeiro (o exército realizou uma seqüência de incursões que desmontaram as gangues de Cité Soleil - favela localizada na capital, Porto Príncipe, a área mais violenta do Haiti) e melhorar os equipamentos militares de combate urbano (o que já ocorreu com o Cascavel e o Urutu).

A saída das tropas deveria ter acontecido, inicialmente, em julho de 2007, mas o Conselho de Segurança da ONU aprovou sucessivas ampliações do mandato da missão brasileira. Em outubro de 2009, por exemplo, o mandato foi prorrogado até outubro de 2010. Nessa mesma reunião, o Conselho destacou os avanços alcançados pela missão, mas reforçou a necessidade de fortalecer a capacidade da polícia haitiana e de apoiar o processo político para a realização de eleições em 2010.

*Luiz Carlos Parejo é professor de colégios da rede privada e de cursos pré-vestibulares.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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