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História Geral

Guerra de Secessão - o conflito

Estados declaram secessão

Túlio Vilela*
Especial para a Página 3, Pedagogia & Comunicação
Reprodução

O general Robert E. Lee comandou os exércitos da Confederação

No dia 20 de dezembro de 1860, pouco antes da posse de Lincoln, o Estado da Carolina do Sul declarou secessão, ou seja, rompeu com o governo federal. Nas semanas seguintes, outros Estados seguiram o exemplo da Carolina do Sul: Geórgia, Flórida, Alabama e Mississipi. Juntos, esses Estados formam uma nova república à parte: os Estados Confederados da América.

No dia 16 de fevereiro, Jefferson Davis, até então senador pelo Mississipi e ex-ministro da guerra, foi proclamado presidente da recém-fundada república. Nem mesmo a secessão foi suficiente para que Lincoln reagisse à atitude dos separatistas. O presidente norte-americano acreditava que ainda era possível encontrar uma saída pacífica para reintegrar os Estados Confederados à União.

A gota d'água que o faria, finalmente, declarar guerra foi uma medida precipitada tomada pelo sul: os confederados sob o comando do general Pierre Gustave Toutant Bearegard, de ascendência francesa, bombardearam o forte federal de Sumter, na Carolina do Sul. Por causa disso, três dias depois, Lincoln declarou guerra. Os confederados ganharam novos aliados: os Estados da Virgínia, do Arkansas, do Tennessee e da Carolina do Norte.

Muito mais que uma luta entre abolicionistas e escravistas

Nem todos os Estados que se mantiveram fiéis ao governo federal eram abolicionistas. Três deles ainda conservavam a escravidão: Kentucky, Maryland e Missouri. Ficaram do lado de Lincoln mais por questão de lealdade à União (eram favoráveis à preservação da unidade nacional) do que por motivo de ordem ideológica.

Se nem todos os que lutaram pelo norte eram abolicionistas, também é verdade que nem todos os que lutaram pelo sul eram antiabolicionistas. Muito antes de a guerra civil ter início, Robert E. Lee, que veio a se tornar general do exército confederado, havia alforriado todos os seus escravos. O governo federal chegou a oferecer a Lee o comando do exército nortista, mas Lee recusou e preferiu aliar-se ao sul para manter-se fiel ao seu Estado de origem, a Virgínia.

Questões pessoais e outros interesses também interferiram na decisão de qual dos lados do conflito defender. Também houve casos de soldados que desertaram porque preferiram lutar ao lado do Estado adversário. Em Estados como o Kentucky e o Kansas, a população ficou praticamente dividida.

Abolição da escravidão e o fim da guerra

A guerra já havia começado e a escravidão ainda não havia sido abolida. Em 1863, quando o conflito ainda se desenrolava, Lincoln proclamou a abolição da escravidão nos Estados Unidos.

Soldados negros chegaram a lutar no exército do norte, mas em uma unidade separada do resto do exército nortista. O norte podia ser abolicionista, mas não desprovido de racismo. Inicialmente, a moral estava muito mais elevada no lado sulista. O sul tinha uma longa tradição guerreira e o general Lee mostrou-se um estrategista competente e um líder carismático.

As coisas não iam tão bem para o exército do norte. Lincoln nomeou três generais diferentes (um dos quais chegou a ser dispensado e nomeado novamente) antes de nomear, em março de 1864, tenente-general o então coronel Ulysses S. Grant.

Assim, aos poucos, a balança começou a pender a favor do exército do norte. A longo prazo, apesar das vitórias iniciais, o sul não tinha como vencer a guerra. A superioridade do norte em recursos materiais e financeiros era evidente.

O norte contava com um verdadeiro parque industrial para fabricar armamentos e outros recursos. A vitória definitiva do norte foi conquistada na última batalha da guerra, em Appomattox, na Virgínia. Nesse dia, 9 de abril de 1865, o general Lee rendeu-se ao exército comandado pelo general Ulysses Grant.

Poucos dias após a rendição do sul, Lincoln, reeleito presidente, foi assassinado num teatro por um ator sulista, inconformado com a derrota do sul.

A Guerra Civil Norte-Americana havia chegado ao fim. No entanto, os ressentimentos do sul derrotado em relação ao norte (especialmente em relação aos banqueiros do norte, que financiariam a construção de ferrovias que atravessariam o país de costa a costa) continuaram durante muitos anos.

Muito desse ressentimento dos brancos do sul em relação ao norte foi descontado nos ex-escravos. Sugiram organizações racistas no sul, das quais, a mais conhecida é a Ku Klux Klan , que organizava linchamentos e perseguições contra negros. A Ku Klux Klan ainda existe até hoje. Leis segregacionistas contra a população negra vigoraram nos Estados do sul até meados do século passado.

O saldo de mortes na guerra foi elevadíssimo: cerca de 250 mil mortos entre os soldados do norte e cerca de 360 mil mortos entre os soldados do sul.

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Túlio Vilela, formado em História pela USP, é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula (Editora Contexto).
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