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História Geral

Império português - a expansão marítima

Causas da epopéia portuguesa

Érica Turci*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Biblioteca Nacional da França

Detalhe do mapa Terra Brasilis (1519), fruto da expansão marítima portuguesa

Durante a guerra entre Castela e Portugal, d. João, Mestre da Ordem de Avis, derrotou a nobreza castelhana na batalha de Aljubarrota e se tornou rei de Portugal, assumindo o título de d. João 1º e iniciando a dinastia que entraria para a história como responsável pela expansão marítima e comercial de Portugal.

Mas quais seriam os motivos que levaram os portugueses a serem os primeiros europeus a se lançarem aos mares?

Centralização do poder

Em primeiro lugar, a centralização monárquica. Desde a vitória de d. Henriques de Borgonha, em 1143, quando o reino de Portugal se tornou independente, iniciou-se o processo de formação do Estado português. Mas foi com d. João 1º que se concretizou a separação entre portugueses e castelhanos. A partir desse momento, a autoridade real foi imposta a todos no reino.

As Cortes (parlamento português, dominado pela nobreza ligada a Castela) continuavam se reunindo, só que com menor freqüência e menor poder de decisão. Ao mesmo tempo, o rei criou impostos que deveriam ser pagos por todos: as sisas, por exemplo, eram tarifas sobre todas as transações econômicas. Dessa forma, o rei angariava fundos para manter seu governo e realizar seus projetos.

Tal centralização política chegou ao seu ápice com d. João 2º (1481-1495), conhecido como Príncipe Perfeito. O historiador Jacob Gorender se refere a esse rei como o primeiro monarca absolutista da Europa.

Navegação

Em segundo lugar, devemos nos lembrar da posição geográfica de Portugal: um reino totalmente voltado para o mar. No litoral português, os mercadores realizavam, desde muito tempo, o comércio marítimo, daí a importância da cidade do Porto para a formação histórica do reino (Portucale).

Inicialmente, a navegação era muito tímida, próxima ao litoral, mas esse fator é de extrema importância, já que garantiu certa experiência aos portugueses. E sempre que as condições econômicas ficavam mais difíceis e a fome ameaçava a população, os pescadores e comerciantes buscavam ampliar seus conhecimentos (e formas de sobrevivência) nas atividades marítimas.

Quando terminou a guerra contra Castela (1385), ficou claro que qualquer expansão em direção ao interior da Europa seria impossível, já que a nobreza, que controlava as terras, nutria simpatia pelos castelhanos. Assim, se o reino de Portugal desejasse crescer, o único caminho seria através dos mares.

Nobreza e burguesia

Dessa forma, como conseqüência dos dois fatores apontados acima, temos um terceiro ponto: a rivalidade entre a nobreza do interior e a burguesia do litoral. A burguesia desejava a autonomia e a expansão econômica de Portugal, enquanto a nobreza, senhora das armas, queria uma maior aliança com os castelhanos na luta contra os invasores muçulmanos.

A conciliação de tais interesses foi habilmente realizada pelo centralismo dos reis da dinastia de Avis, pois, ao se iniciar a expansão marítima - com a conquista de Ceuta, em 1415 -, o reino português, ao mesmo tempo, deu à nobreza a realização de seu potencial militar e religioso (uma guerra santa contra os infiéis muçulmanos) e aos mercadores a possibilidade de expansão de seus negócios no norte da África. Tudo isso, a partir do controle do Estado português: cabiam ao rei todas as decisões.

Aumento da população

Além dessas questões, não podemos esquecer que a população européia crescia, sua necessidade de alimento e de bens era cada vez maior. Com as Cruzadas no Oriente e o aumento das transações comercias européias, faltavam metais que pudessem ser transformados em moeda, em dinheiro. E os portugueses tinham a possibilidade de buscar em outras terras, cruzando os mares, uma solução para esses problemas.

Dessa forma, o Estado português passou a ser o grande mercador, pois, para estabelecer praças comerciais na África, seriam necessários fortificações, feitorias, navios, arsenais... e só um Estado organizado e centralizado poderia dispor de dinheiro e homens para tanto.

Além disso, a nobreza, que desejava terras e títulos, só se arriscaria em tamanha façanha se tivesse certeza de que teria os benefícios garantidos por um Estado capaz de organizar com destreza seus intentos.

A tudo isso se soma a convivência que os portugueses tiveram, durante longos anos, com os muçulmanos. Apesar das guerras, povos que viveram tanto tempo juntos não poderiam deixar de trocar conhecimentos. Os portugueses aprenderam muito sobre álgebra, aritmética, astronomia e cartografia com os árabes.

Não sabemos o que os reis de Portugal pensavam quando se propuseram a uma tarefa até então inédita entre os europeus. Quais seriam os reais motivos que levaram os portugueses à façanha de se tornarem os senhores dos mares? Mas sabemos que realizaram uma das maiores epopéias da história. Portugal, um pequeno reino, estabeleceu rotas comercias com a África, a Índia, a China, a Indonésia e o Japão, além de colonizar o Brasil. A partir de então, o comércio europeu se tornou mundial.

Referências

  • GORENDER, Jacob. Escravismo colonial, Editora Ática, 1987.
  • SARAIVA, José Hermano. História concisa de Portugal, Publicações Europa-América.

  • *Érica Turci é historiadora e professora de história formada pela USP.

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