Os primeiros primatas viveram há 70 milhões de anos, na região hoje correspondente ao continente africano. Eles eram parecidos com os lêmures atuais e tinham o tamanho de ratos.
Hominídeos são mais recentes - o fóssil mais antigo de que se tem notícia teria em torno de 3,5 millhões de anos. Quase nada, se comparados aos mais de 4,5 bilhões de anos de idade do planeta.
Enfim, primatas e hominídeos não contam como ancestrais do ser humano - são primos distantes do gênero
Homo, a que pertencemos.
Várias espécies desse gênero habitaram a Terra:
habilis,
erectus,
neanderthalensis,
sapiens sapiens. É esse último que nos interessa, porque se trata do parente antigo mais parecido conosco, os seres humanos modernos.
Ancestral das cavernas
O ser humano atual é representante da espécie
Homo sapiens sapiens, a única que conseguiu sobreviver. Seu aparecimento deu-se no período chamado Paleolítico, o mais longo da Pré-história. Esse nosso ancestral vivia ao ar livre ou em cavernas, era caçador e coletor, e não se fixava apenas em um lugar, era nômade.
Até pouco tempo, os cientistas acreditavam que o
Homo sapiens sapiens teria surgido no leste da África. Mas pesquisadores do Instituto de Antropologia Evolucionária Max Planck, na Alemanha, descobriram que o humano moderno começou a viver no norte da África - e bem antes do que se imaginava.
A equipe, liderada pela cientista Tanya Smith, analisou o padrão de crescimento dos dentes do fóssil de um menino que teria vivido há mais de 160 mil anos.
A criança de Jebel Irhoud
O fóssil foi encontrado na atual região do Marrocos, no sítio arqueológico de Jebel Irhoud. O local é conhecido entre os paleontologistas pelos numerosos fósseis encontrados ali.
Em uma combinação inovadora, a equipe usou recursos de imagens com luz síncrotron - uma técnica que permite examinar nanoestruturas - , microtomografia de alta resolução e análise de desenvolvimento.
As imagens síncrotron revelaram as linhas de crescimento interno dos dentes, sem danificar o espécime.
Oito anos de idade
Conseguiu-se, assim, reconstruir o crescimento dos dentes do fóssil e determinar sua idade quando morreu - cerca de 8 anos.
Foram detectadas no menino de Jebel Irhoud diversas características semelhantes às de crianças européias modernas. O padrão de crescimento dental do fóssil, indicando um longo período de desenvolvimento, foi considerado mais parecido com o do humano atual do que o de outras espécies do gênero
Homo.
Marcas do crescimento
O crescimento dental causa, a cada hora, dia e ano, mudanças que permitem avaliar o ritmo de desenvolvimento do indivíduo. Elas ficam permanentemente gravadas em cada dente.
O processo é semelhante ao que permite avaliar a idade de árvores pelos anéis de crescimento nos troncos. Estudos recentes de desenvolvimento demonstram que os primeiros fósseis hominídeos tinham uma infância curta, seu crescimento era mais rápido.
Infância longa
A infância longa é uma característica dos seres humanos, necessária para o amadurecimento do cérebro, ligado ao desenvolvimento de habilidades mais complexas e à socialização.
De acordo com os pesquisadores, os resultados fornecerão pistas sobre quando e onde a anatomia e o comportamento humanos modernos se originaram - e sobre a origem da duração maior da infância humana.
Com informações da
Agência FAPESP.
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