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Carta informal (3)

Conectivos contribuem muito para a coesão dos textos

Celina Bruniera*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
No artigo Carta informal (2), exploramos a elaboração de uma carta enviada por Bassam, um garoto da Jordânia, a Flora, uma menina brasileira. Nossa análise, naquele momento, procurou evidenciar como os temas da carta foram desenvolvidos e, sobretudo, como a construção dos parágrafos contribuiu para que o texto ganhasse coerência.

Pensamos que vale a pena ampliar um pouco mais a análise dessa carta, tematizando agora os elementos que contribuem para a coesão textual. Assim, reproduzimos o texto mais uma vez.

October, 2000
Dear Flora,

Hi my name is Bassam, I am fifteen years old from Jordan. I have black hair hazel eyes, like to listen to heavy metal and classic’s and play it on my guitar. I like to send letters so when I heard that we would communicate with the students of Brazil I became very interested. And also the Brazilian soccer team is the world champions so I would not miss this chance. I know a lot about your country and the people who live there.

In our country we have big problems that have to be solved and one of these problems is child labour. There are a lot of children who work till midnight selling coffee and gum in the streets. And also there are children that do heavy jobs being only eight years old. From this thing they start to learn bad habits like smoking and saying bad words.

Yet there are parents who force their children to work, and if they do not bring a lot of money at the end of the day there is no food for them. So I think that this is a bad treatment for the children instead of having love and feeling comfortable.

If you want to send me back another letter you could send it on my e-mail.

Write soon,

Bassam Qubain

Esse texto constitui um bom exemplo de como a intenção comunicativa se materializa no uso de formas lingüísticas, sobretudo por meio de uma variedade de conectivos que produzem a articulação e a organização dos temas desenvolvidos.

O uso dos conectivos
A análise do sentido que esses conectivos dão ao texto é fundamental para podermos nos tornar leitores mais competentes. Isso porque um estudo desses elementos pode ajudar a mapear as pistas que o texto nos deixa e, assim, nos aproximar de sua intenção comunicativa e das posições assumidas em relação aos temas abordados.

Observe, por exemplo, o uso dos conectivos so and and also no final do primeiro parágrafo. Bassam inicia a carta descrevendo a si mesmo e alguns de seus hábitos. Em "I like to send letters so when I heard that we would communicate with the students of Brazil I became very interested.", ele apresenta duas razões pelas quais ficou interessado em escrever para Flora: gosta de enviar cartas, especialmente para estudantes brasileiros. E em "And also the Brazilian soccer team is the world champions so I would not miss this chance. I know a lot about your country and the people who live there.", ele acrescenta mais uma razão para escrever, dizendo que não perderia a chance de se comunicar com um brasileiro, já que a selação de futebol do Brasil é a campeã do mundo. Note que as razões são apresentadas por meio do uso de so e ao adicionar mais um motivo para escrever a carta, o autor usa and also.

Trabalho infantil
No segundo parágrafo, o texto se volta para o problema do trabalho infantil, mencionando o fato de crianças trabalharem até meia-noite e acrescentando, através de and also, que há aquelas que fazem trabalhos pesados, tendo apenas oito anos de idade.

No terceiro parágrafo, o conectivo yet garante a idéia de adicionar informações sobre o trabalho infantil na Jordânia, dizendo que há pais que forçam as crianças a trabalharem. Com and if, Bassam não só acrescenta mais um elemento sobre o tema, como também revela uma condição: se as crianças não trazem dinheiro para casa, não há comida para elas.

Note, ainda nesse parágrafo, o uso de so em "So I think that this is a bad treatment for the children instead of having love and feeling comfortable.", no terceiro parágrafo. Nesse período,so pode ser traduzido por "portanto" e além de sugerir que o autor está concluindo seu pensamento, evidencia sua posição acerca da exploração do trabalho infantil pelos próprios pais da criança. Com isso, Bassam chega a conclusão de que esse não é um bom tratamento para a criança, que deveria estar recebendo amor e se sentindo protegida.

Quer refletir um pouco mais sobre coesão textual? Clique aqui.

* Celina Bruniera é mestre em Sociologia da Educação pela USP e assessora educacional para a área de linguagem.
»Carta informal (1)
»Carta informal (2)
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