
Mas, se o surgimento da televisão não fez o rádio desaparecer, do mesmo modo o papel e os meios que dependem dele, também conseguiram garantir sua presença no mundo cibernético. A ponto de sabermos que hoje - após a criação da Internet -, o consumo de papel cresceu, em vez de diminuir.
Ao longo da história, os homens aprenderam a dar novos significados a coisas antigas. Com os gêneros textuais, isso também aconteceu. Com o surgimento de novos meios de comunicação, recriamos os textos. Mas notamos que a nossa história fica mais marcada pela coexistência desses textos, do que pela superação de alguns em relação a outros.
A carta e o e-mail
Há alguns anos, acreditava-se que o advento do correio eletrônico causaria uma crise na correspondência tradicional. Pensava-se, também, que o gênero carta estaria com os dias contados. Mas já se vão aproximadamente dez anos e esse gênero textual não só sobreviveu bravamente, como serviu de modelo para a criação de sua modalidade eletrônica: as mensagens transmitidas via e-mail.
As cartas tradicionais não deixaram de existir com o advento da internet. E além de continuarem exercendo sua função social, podem ser tematizadas para nos ajudar a ampliar nosso conhecimento lingüístico de modo geral e - como propomos aqui - servir de fonte para o aprendizado do inglês.
Vamos refletir sobre a presença de marcas da linguagem oral nas cartas informais, aquela que se trocam entre amigos e parentes. Leia o texto que segue e tente localizá-las.
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14, Victoria
Road. London, N.W.6 12th December, 2004. |
| Dear
Carolina,
Thank you for your letter. It was lovely to hear from you and yes, I'd really like to come and stay next holidays. You know how much I love spending my winter holidays with you and your family in Rio. Mainly when in England the weather is so bad. I'll follow your suggestion and arrive for the New Year's Day. I really think it'll be great to see the fireworks in Copacabana. Do you remember Harry? That guy I introduced you when you were here last July? Well, I met him at a party the other day. I told him I was thinking of going to Brazil and stay with you. Do you believe he said he's also going to Rio in January? We can meet and do something together, can't we? Anyway, we can talk about it later and I'll give more of my news when I see you. Must rush now because I have an English exam at school. I'm looking forward to the holidays. Give my best wishes to your parents. Love, |
Ao escrevermos um texto, temos uma intenção. Na carta reproduzida aqui, Pat escreve para Carolina para dizer que aceita o convite da amiga. Vem ao Brasil para passar as férias. Geralmente, é no primeiro parágrafo de uma carta que expressamos o motivo que nos leva a escrevê-la.
Marcas da linguagem oral
Veja que Pat inicia o texto agradecendo uma carta recebida de Carolina, na qual provavelmente a amiga fez o convite, e dizendo aceitar sua sugestão para passar o Ano Novo no Rio. E observe, também, que já nesse parágrafo, o texto apresenta marcas da linguagem oral, como pode ser visto em "and yes, I'd really like to come".
Note que o mesmo acontece nos outros parágrafos. No segundo, tem-se "well, I met him" e uma série de perguntas que fazemos quando estamos na presença do nosso interlocutor. Nessas situações é que usamos, por exemplo, a expressão "do you believe".
No terceiro parágrafo, as expressões "I'll give more of my news" e "must rush now" são outros exemplos da comunicação oral e seriam inadequadas em textos mais formais. Mas encontram lugar na troca de correspondência entre amigos.
Além das cartas informais permitirem o uso de expressões típicas da linguagem oral, nelas o remetente pode fazer uso de abreviaturas. É o caso de "I'll follow", "I'd really like", "he's also going", entre outros.
Veja que essas formas próprias da comunicação oral também são muito usadas nas mensagens eletrônicas de caráter pessoal.