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Voz passiva

Repare no seu uso em placas e informativos

Celina Bruniera Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Já tematizamos anteriormente que o uso da voz passiva pelos povos que têm o inglês como língua materna. Na maioria das vezes, acontece com o objetivo de tornar o texto mais formal. É por isso que ela está presente nas notícias, por exemplo. Esse é um gênero textual que requer uma certa objetividade e impessoalidade para concretizar sua intenção e a voz passiva pode funcionar assim.

Mas a passiva também funciona com o intuito de fazer com que a ação fique mais evidente do que quem a realiza. E esse é, em alguns casos, o objetivo de alguns jornalistas quando relatam um fato ocorrido. Isso ocorre, por exemplo, ao dizerem "duas pessoas foram mortas ontem à noite". Em inglês, teríamos two people were killed yesterday night.

A ênfase na ação e não no sujeito pode ser justificada pela ausência de informações a respeito de quem cometeu tal ato ou, simplesmente, pelo fato de a publicação preferir evidenciá-la em detrimento de quem a realizou. Isso é o que acontece de maneira recorrente nos textos próprios de placas e informativos, em geral. Observe os exemplos:


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Note que nos quarto exemplos contamos com a presença da voz passiva. No entanto, nos três primeiros exemplos, há uma omissão do verbo to be. Para que o lunches now being served figurasse na sua versão completa, teríamos lunches are now being served. O mesmo ocorre com outros dois exemplos.

No segundo caso, fishing strictly prohibited, teríamos como versão completa fishing is strictly prohibited e, no terceiro, French spoken here, teríamos French is spoken here. Observe que em todos esses três exemplos temos passiva analítica de presente. No primeiro exemplo figura uma passiva de presente contínuo e nos outros dois, de presente.

No quarto caso, shoplifters will be prosecuted - em que a sentença aparece na sua forma completa -, a passiva é de futuro. Em todos os exemplos, no entanto, a intenção é evidenciar a ação em detrimento do sujeito. Isso porque não importa quem serve o almoço, mas o fato de almoços serem servidos a partir de agora, por exemplo. Também não importa quem probiu a pesca, nem quem fala francês e, ainda, quem vai processar aqueles que furtam. A ênfase recai sobre as ações e não em que as realizou.
* Celina Bruniera é mestre em Sociologia da Educação pela USP e assessora educacional para a área de linguagem.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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