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Inglês

Escrita e imitação

A função educacional dos textos de referência

Celina Bruniera*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
O trabalho de elaboração de textos escritos se diferencia da produção de textos orais, na medida em que no primeiro caso (salvo nas produções on-line) é possível fazer alterações no texto antes de enviá-lo ao interlocutor. Quer dizer, pode-se tomar o texto como objeto de análise e pensar nos ajustes necessários para torná-lo mais adequado às características da situação de produção discursiva.

Lembramos que cada situação de produção discursiva conta com interlocutores particulares (aquele que produz o enunciado e aquele(s) a quem o enunciado se destina), que esses interlocutores têm intenções específicas e um repertório de práticas de linguagem que os orienta na elaboração do discurso.

Isso quer dizer que a produção escrita, a reescrita e a revisão textual podem se constituir em momentos significativos de reflexão sobre os usos da linguagem e sobre a maneira de escrever o texto, ou seja, sobre o próprio comportamento de quem escreve.

Textos de referência
São muitas as orientações que poderíamos dar a respeito desse tema no que se refere à produção de textos em inglês. No entanto, por hora, vamos nos concentrar num procedimento simples mas que contribui de forma significativa para dinamizar o processo de elaboração de textos: o uso de bons textos como referência.

Quando falamos em bons textos, estamos nos referindo aos textos originais ou aos próximos dos originais (sem facilitações) em que o autor respeita as marcas características de um gênero, faz uso de linguagem adequada ao contexto, ao gênero e aos interlocutores, cuida da sintaxe, do léxico e da ortografia com o objetivo de que as intenções do texto possam se materializar e possam ser compreendidas por aquele(s) a quem o texto se destina.

Mesmo no caso de textos literários em que as intenções giram em torno do aprimoramento da qualidade estética do texto, ou seja, o texto tem um valor em si, pode-se pensar na imitação de bons textos quando se escreve.

Ler para escrever
Os textos originais atuam no sentido de fazer com que aquele que aprende a língua entre em contato com as práticas e as atividades de linguagem, ou seja, com os usos que os sujeitos fazem da linguagem. Na ausência de participação em interações reais mediadas pela língua que se aprende, nada melhor que os textos originais para veicular os sentidos atribuídos às práticas de linguagem por aqueles que se comunicam por meio do inglês como língua materna.

Assim, você pode ampliar sua competência escritora lendo, analisando e imitando os bons textos. Basta ter o cuidado para selecionar aqueles textos que se constituem em exemplos de atividades de linguagem com características semelhantes àquelas próprias da situação de produção de discursiva em questão.

A imitação e mesmo a cópia de expressões e palavras fazem parte do processo de aquisição de condutas de linguagem. Se esse processo for marcado pela reflexão acerca do que caracteriza a situação de produção discursiva, pela busca da elaboração de um texto coeso e coerente, podemos aprender muito com realização desse procedimento.
* Celina Bruniera é mestre em Sociologia da Educação pela USP e assessora educacional para a área de linguagem.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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