
As características da situação comunicativa colocam questões acerca das quais o autor do texto deve pensar para que o resultado atinja seus propósitos. Refletir, por exemplo, a quem se destina o texto é fundamental porque para que estabeleçamos a interlocução é preciso que os sujeitos envolvidos compartilhem conhecimento de mundo, dominem o gênero textual em questão e a variante lingüística em que o texto foi escrito.
Intertextualidade
Um outro fator importante é a intertextualidade. Cada texto que escrevemos ou que elaboramos oralmente dialoga com outros textos lidos ou ouvidos ao longo de nossa vida. Ao elaborarmos um texto novo, quanto mais evidenciamos essas relações entre textos, mais acessível ao leitor ou ao ouvinte ele se torna. Isso porque é possível que quem entra em contato com o texto refaça as relações estabelecidas por quem o elaborou e, assim, se aproxime do(s) sentido(s) que se quis atribuir a ele.
Um aspecto que iremos exemplificar aqui diz respeito à escolha lexical, ou seja, ao uso adequado das palavras. A inadequação pode se dar de diferentes formas. Pode-se escolher vocábulos que exprimam um certo tom de informalidade quando a situação exige o uso de linguagem formal. Pode-se escolher palavras equivocadas para o contexto, cujo sentido torna o texto contraditório. Pode-se, ainda, usar um vocabulário que não seja adequado ao gênero textual em questão.
Texto literário
No texto selecionado (um conto narrativo), poderemos observar o uso de palavras cujo sentido não é adequado ao contexto. Lembramos que quando tratamos de um texto ficcional, a situação comunicativa se apresenta de forma diferente. Isso porque o texto ficcional tem como intenção proporcionar ao leitor o prazer de ler e para isso valoriza os aspectos estéticos.
Além disso, como são textos geralmente veiculados em livros, é bastante difícil precisar o público leitor. Essas peculiaridades do texto ficcional fazem com que o escritor tenha mais liberdade para criar, para brincar com as palavras, para burilar a língua e, conseqüentemente, não se sinta tão pressionado a atender as demandas de uma situação comunicativa. Vamos ao texto.
| One
hot, sunny day in July, a tramp was swimming along a country road. He was
chewing a piece of glass as a consequence he felt hungry. Suddenly, on the
other side of the hedge, he saw a pond with a large white duck driving round
and round on it.
The tramp had a good idea. Immediately, he jumped over the hedge and ran opposite the duck. Soon he was sitting by the pond with a large pile of white feathers beside her. Just then he heard a shout. The farmer was coming across the sea, waving his arms. Hurriedly the tramp put the duck back into the forest. The farmer was very kind. He pointed to the pond and shouted, 'What's the matter with my duck?' 'Ah!' said
the tramp quietly, 'it wanted to go for a swim, and I'm looking after
its clothes!' |
Você pôde notar que as contradições presentes no texto dizem respeito ao uso inadequado de palavras. Por exemplo, não é possível nadar numa rua. A menos que isso fosse uma metáfora, o que não é o caso no contexto em questão. A palavra swimming (no primeiro parágrafo) deveria ser substituída por walking.
Assim, também não é comum mascar um pedaço de vidro ("he was chewing a piece of glass"), mas a piece of grass (um pedaço de grama). Veja que a escolha equivocada de uma palavra pode fazer com que todo o texto fique comprometido.
Nesse mesmo parágrafo, observe que a conjunção usada foi as a consequence, o que não corresponde com o que se quer dizer, já que ninguém fica com fome porque mascou um pedaço de grama. A conjunção correta para o contexto é because.
E, ainda, um pato não pode dirigir num lago ("duck driving round and round on it"), mas pode nadar ("duck swimming round and round on it").
Tente, agora, analisar os outros três parágrafos, buscando encontrar outros aspectos contraditórios no texto.