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19h40 20/03/2012

África do Sul

Baixo custo e clima tropical são atrativos para estudar inglês na África do Sul

Camila Rodrigues
Do UOL, em São Paulo

Divulgação

Table Montain (ou montanha Mesa) é o cartão postal da Cidade do Cabo e um dos símbolos naturais da África do Sul

Table Montain (ou montanha Mesa) é o cartão postal da Cidade do Cabo e um dos símbolos naturais da África do Sul

Quando se pensa em intercâmbio para fazer cursos de inglês, a África do Sul se apresenta como um país com uma das melhores relações custo-benefício. “As passagens são mais baratas, é divertido, há muitas atividades de lazer e a moeda sul-africana é desvalorizada em relação ao real, então o custo de vida é bem barato”, sintetiza Marcelo Mattos, da New Experience.

Segundo a EduSA (associação de escolas de inglês da África do Sul), 20% das pessoas que chegam ao país com objetivos de estudos são oriundas do Brasil e ficam, em média, de 4 a 8 meses.

Um curso de inglês no país com duração de quatro semanas, hospedagem em quarto individual em casa de família, com jantar e café da manhã, sai por cerca de US$ 1.600. Com as mesmas condições, o estudante terá de investir, em média, US$ 1.900 no Canadá, US$ 2.100 nos Estados Unidos e US$ 2.200 na Inglaterra, compara Fred Tiba, da Belta (associação de agências brasileiras de intercâmbio no exterior). Os cursos de idioma estão concentrados na litorânea Cidade do Cabo (Cape Town), a capital legislativa da África do Sul.

Esse custo torna-se mais competitivo porque a moeda brasileira é valorizada em relação à moeda sul-africana, o randes: na cotação de fevereiro de 2012, um real equivalia a 4,4 randes.  

Em relação ao visto, o consulado informa que todos os estudantes precisam de visto, mesmo para cursos de idioma de um mês. Na prática, as agências de intercâmbio e estudantes que visitaram o país recentemente informam que brasileiros estão isentos de vistos por 90 dias.

Graduação e pós-graduação

O país conta com 21 instituições públicas de ensino superior, com diversas opções de estudo e de pesquisa para os estudantes locais e internacionais.  Embora subsidiadas pelo Estado, elas são autônomas e se reportam aos seus próprios conselhos, não ao governo.

As universidades públicas são divididas em três categorias:  tradicionais, que oferecem graduações orientadas para a teoria; tecnológicas, que oferecem cursos orientados para a prática e para a técnica; e abrangentes, que oferecem os dois tipos de qualificação.

São oferecidos cursos bem avaliados em diversas áreas como medicina, ciências sociais e turismo. O destaque fica para a Universidade da Cidade do Cabo, considerada a melhor do país e presente no ranking das 300 melhores do mundo.

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O setor de ensino superior foi recentemente reestruturado, já que o sistema anterior e seus programas ainda refletiam as prioridades do sistema de apartheid. Para saber mais, clique aqui (em inglês).

No nível de pós-graduação, muitos estudantes brasileiros optam pelo país por causa das pesquisas em áreas relacionadas à epidemiologia de doenças tropicais e reestruturação urbana.

Paradisíaco

Além de estar em uma das regiões mais bonitas do país, com montanhas e praias lindíssimas, a Cidade do Cabo tem clima agradável e flora exuberante. É nessa região em que são produzidos os melhores vinhos sul-africanos.

O clima tropical, semelhante ao nosso, os safáris, os esportes radicais e a diversidade cultural também despertam o interesse de quem visita o país. Em safáris e zoológicos, há possibilidade de conhecer animais raros e diferentes aldeias.

Paradoxalmente, a África do Sul possui uma diversidade cultural que não se integra. Isso quer dizer que brancos, negros e mulçumanos dificilmente se misturam em rodas de amigos, e o apartheid ainda mostra marcas.  No entanto, isso não invalida a oportunidade de ter contato com onze línguas oficiais (inglês, africâner, zulu, xhosa, isindebele, northern sotho, southern sotho, isiswati, tsonga, tswan e venda). O inglês, falado em todas as províncias, é a língua usada para negócios.

Nas principais cidades e vilas, encontram-se mercados de rua com arte africana de diferentes estilos, além de centros comerciais que funcionam como zona de lazer, a exemplo do Victoria e do Alfred Waterfront, nas docas da Cidade do Cabo.

Em Pretória, capital administrativa do país, há prédios modernos e construções elegantes de influência europeia. Na reserva de Kruger Park -a mais famosa-, há centenas de espécies de pássaros e animais selvagens, como búfalo, elefante, leão, leopardo e rinoceronte. No país, podem-se ver também as impalas, zebras, girafas, hipopótamos e plantas que não são encontradas em outras regiões.

  • Rodrigo Thiago Dias/Arquivo pessoal

    A experiência foi incrível, muito mais do que esperava. Na residência estudantil havia gente de muitas partes do mundo. A Cidade do Cabo é mágica. É legal que a pessoa vá quando tiver um inglês regular, que permita se comunicar minimamente, senão o aproveitamento será menor. Outra dica é nunca deixar de descobrir a cidade e de conversar com os nativos.
    Rodrigo Thiago Dias

Durban, principal cidade da Província de Kwazulu-Natal, é um importante porto do Oceano Índico. A cidade é jovial e descontraída, com várias opções de restaurantes e bares de frente para o mar.

O visitante deve, entretanto, tomar cuidado nas ruas, locais e transportes públicos, principalmente nas grandes cidades, como Porto Elizabeth, Joanesburgo e Cidade do Cabo. São metrópoles com grande desigualdade social, mas com índices de violência que equivalem aos de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Trabalho

O visto de estudante só permite trabalhar quando o intercambista estiver em uma instituição do ensino superior, ou seja, estudantes de nível médio e de cursos de idioma não estão autorizados. O limite é de 20 horas semanais.

Há porém diversos vistos de trabalho. Algumas agências oferecem programas que permitem ao candidato encontrar sua própria vaga para trabalhar por até um ano em qualquer região do país. As chances de emprego disponíveis concentram-se nas indústrias de turismo e hotelaria, incluindo também albergues, bares e restaurantes.

Para participar, é necessário ter no mínimo 18 anos (em alguns programas, há limite máximo idade) e possuir inglês a partir do nível intermediário. No programa está incluso auxílio na procura de uma vaga e documentação necessária para a obtenção do visto.

No entanto, é bom ponderar que a África do Sul tem um alto nível de desemprego: em 2011, a taxa alcançava 23,2%.

Por isso, se o que vale é a experiência (e não o retorno financeiro), há a opção de buscar os programas de trabalho voluntário, intermediado pelas agências de intercâmbio brasileiras. Há projetos nas áreas de educação ambiental, meio ambiente, ensino em escola primária, serviço social e turismo.

O voluntário pode trabalhar a partir de duas semanas em um dos projetos, e paga um valor de manutenção da instituição de US$ 1.050, aproximadamente. Com este valor, tem-se direito a acomodação, meia pensão (café e jantar) e orientação de chegada ao país. É preciso contabilizar ainda o custo com passagens aéreas –o preço de ida e volta está por cerca de US$ 2.000.

Os programas de trabalho voluntário estão disponíveis em outros países, como Argentina, Chile, Guatemala, Ghana, Índia, Irlanda, Marrocos, Nepal, Nigéria e Turquia.

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