
Raciocinamos ou argumentamos, portanto, quando colocamos premissas que contenham evidências em uma ordem tal que, necessariamente, nos levam a uma conclusão. Essa sistemática se compõe de processos racionais que ligam o que se conhece ao que ainda é desconhecido, ou seja, são processos que permitem obter novos conhecimentos a partir de conhecimentos já adquiridos. Basicamente, há dois processos segundo os quais organizamos os nossos raciocínios: a dedução e a indução.
1) A é sempre igual a B (fato geral, também chamada de premissa maior);
2) existe um X que é igual a A (caso particular ou premissa menor);
3) logo, este X é igual a B (conclusão).
Vejamos agora um exemplo aplicado a uma questão de caráter mais especificamente matemático:
1)Todo número ímpar pode ser escrito como 2n + 1, para qualquer n inteiro;
2) 325 é um número ímpar;
3) logo, 325 pode ser escrito como 2n + 1, se n for igual a 162.
Ou seja, 2 X 162 + 1 = 365.
1)Todos os As observados são iguais a B (observação de dados ou fatos isolados);
2)Logo, todo A é igual a B (indução).
Agora, um exemplo numérico:
1) Todo número que apresenta o algarismo das unidades igual a 4 é um número par;
2) Logo, 64 é um número par.
A indução na matemática
A indução é o processo natural de obtenção de respostas nas ciências experimentais, como a biologia e a química. Apesar de não ser o caso da matemática - que é uma ciência cujos fatos fundamentais não estão alicerçados na experiência -, alguns de seus ramos em desenvolvimento procuram respostas iniciais através de indução.
Resultados obtidos dessa maneira devem ser colocados à prova, posteriormente, por outros critérios independentes, pois o método indutivo pode nos levar a conclusões falsas: premissas verdadeiras não implicam necessariamente conclusões verdadeiras!
Vejamos dois exemplos:
1) O número 64 é par;
2) logo, todo número que tem dois algarismos é par.
Aqui, a generalização da premissa verdadeira resultou em uma conclusão falsa ou incorreta.
Vamos a um outro exemplo:
1) A expressão f(n) = n2 - n + 41 produz, para n = 1, um resultado primo (verdadeiro: f(1) = 41);
2) a expressão f(n) = n2 - n + 41 produz, para n = 2, um resultado primo (verdadeiro: f(2) = 43);
3) a expressão f(n) = n2 - n + 41 produz, para n = 3, um resultado primo (verdadeiro: f(2) = 47);
4) logo, a expressão f(n) = n2 - n + 41, n
N, produz números primos.
Nesse caso, poderíamos encontrar respostas verdadeiras para
n
40; no entanto, f(41) = 412 - 41 + 41 = 412, que não é primo! Então, a generalização de 41 premissas verdadeiras resultou em uma conclusão falsa.
Existem duas abordagens para esses problemas. Na abordagem experimental, um cientista tentaria resolver o problema através da experimentação e, depois de testar algumas possibilidades, vai descobrir que a fórmula fracassa para n = 41. Mas poderia ser diferente: se a sua hipótese caísse apenas em um n muito grande, seria muito mais difícil descobrir. Poderia, inclusive, ocorrer de a fórmula ser verdadeira!
Depois de algumas centenas de testes, o cientista chegaria à conclusão de que existem evidências suficientes de que a expressão realmente gera todos os primos maiores que 40. Contudo, o cientista jamais teria certeza de que isto é verdade, porque pode existir algum n ainda não testado que derruba a sua tese. Existem infinitos n naturais e só é possível explorar uma pequena fração deles. Assim, o cientista teria que conviver com a hipótese de que sua teoria poderia ser derrubada algum dia.
Na abordagem matemática, o matemático tenta resolver o problema desenvolvendo um raciocínio lógico, o qual produziria uma conclusão que seria, ao mesmo tempo, indubitavelmente correta e permaneceria assim para sempre.
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Raciocínio
dedutivo |
Raciocínio
indutivo |
| Na dedução, a conclusão apenas explicita ou ratifica o que já havia sido dado a conhecer pelas premissas: | A conclusão enuncia uma verdade que ultrapassa o conhecimento dado pelas premissas. |
| Se todas as premissas são verdadeiras, então as conclusões são verdadeiras. | Se todas as premissas são verdadeiras, então a conclusão é provavelmente (mas não necessariamente) verdadeira. |
Por ordem alfabética