Desconhecimento do Ideb por parte dos coordenadores é uma "preocupação", diz MEC

Ligia Sanchez
Rafael Targino
Em São Paulo

A secretária de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação), Maria do Pilar Lacerda, disse ao UOL Educação que o fato de quase metade dos coordenadores de escola desconhecer o resultado de suas instituições no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é “uma preocupação”.

“Sem dúvida nenhuma, é uma preocupação. A grande dificuldade desse processo de avaliação é fazê-lo ser incorporado na escola. O Ideb ainda é muito novo”, afirma. Segundo ela, o resultado, em forma de cartaz, foi enviado a todas as instituições. “Mais ou menos 50% das escolas não afixaram os cartazes nos murais. Os diretores disseram que foi por excesso de papel, ou que [os papéis] podiam sumir.”

Segundo Maria do Pilar, depois do segundo turno das eleições, os cartazes, que devem ser simplificados, serão reenviados às escolas. A secretária afirmou que está sendo criado um “ambiente virtual” para que as escolas tenham acesso aos dados online.

Falha, mas não desconhecimento

Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirma que o fato de quase metade dos coordenadores pedagógicos da rede pública não conhecer o Ideb de suas escolas revela uma falha grave por parte destes profissionais, mas não significa que eles não tenham um diagnóstico dos problemas que os afetam.

“A pesquisa mostra que eles apontam questões de infra-estrutura e falta de participação de pais e comunidade como principais desafios das escolas. Isso revela que a gestão democrática não está implementada de fato", explica.

Para ele, a falta de participação da comunidade tem impacto negativo na qualidade da educação. “Os sistemas de avaliação só funcionam se forem acompanhados de controle social. Pais têm que cobrar das escolas", diz.

Segundo Cara, o Ideb tem a limitação de avaliar três elementos: evasão, fluxo e desempenho. “Ao indicar os problemas das escolas, os coordenadores dão uma pista de que as políticas de avaliação precisam avançar no sentido de entender as condições de trabalho dos professores, de infraestrutura das escolas e da formação de docentes.”

O avanço neste nível de detalhe exige o envolvimento das redes municipais e estaduais. "Caberia ao governo federal articular tais avaliações, para fundamentar o planejamento de políticas públicas”, afirma.

Para Mozart Neves Ramos, conselheiro do Todos pela Educação, o Ideb tem mais efeito se utilizado na promoção de políticas públicas. "Quando as redes municipais e estaduais de educação atrelam o resultado do Ideb a algum tipo de reconhecimento, como bônus para o professor, os profissionais passam a ter outro olhar para o indicador", afirma.

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