Enem

Segundo Haddad, MEC vai identificar "todas" as situações de alunos prejudicados no Enem 2010

Da Redação*
Em São Paulo

O ministro Fernando Haddad disse que o MEC (Ministério da Educação) tem como objetivo identificar "todas as situações" de falhas com estudantes no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ocorridas no final de semana. "Queremos abranger todos os estudantes" afirmou.

Com aparente tranquilidade, o ministro fez questão de apontar em diversos momentos da entrevista coletiva de quase uma hora que as falhas amplamente noticiadas pela imprensa estão todas sendo resolvidas pelo MEC. Ele não informou qual é o número de estudantes prejudicados pelo erro na impressão dos cadernos amarelos ou pela falha na folha de respostas que trazia o cabeçalho em divergência com a prova.

De acordo com Haddad, o Inep ainda investiga o número exato de candidatos prejudicados, mas que, até a tarde desta segunda, o número de casos estava abaixo da estimativa inicial de 2.000 estudantes. O MEC disse que, até agora, identificou apenas uma escola inteira em Sergipe que não conseguiu trocar as provas com questões repetidas ou faltando, além de outros casos, isolados, em todo o país

Segundo ele, as informações preliminares mostram que "foram poucos". E ele adicionou que o MEC tem "condições de verificar" se houve "má orientação ou desorientação por parte dos fiscais". Para Haddad, "o juízo que fazemos hoje é [de reparar os danos ocorridos] sem dificuldades".

O ministro foi cauteloso na avaliação do processo do Enem 2010. Nos últimos dias, Joaquim José Soares Neto, presidente do Inep, autarquia da pasta responsável pelo exame, declarou que o exame deste ano foi um "sucesso".

TRI explica

A TRI (Teoria de Resposta ao Item) foi citada como "salvaguarda para ocorrências desse tipo" uma vez que metodologia de avaliação permite que duas provas diferentes possam fazer a mesma medida dos conhecimentos dos avaliados. A TRI está sendo usada como argumento para convencer a juíza federal que determinou a suspensão do Enem a rever sua posição. O MEC vai informar à magistrada que não há perda de isonomia entre quem já fez a prova e quem vai precisar repetir o exame por causa dos problemas.

"Essa é a vantagem do novo Enem, é identificar o erro e aplicar uma [nova] prova com o mesmo nível técnico [de exigência", afirmou Haddad. No entanto, se a juíza Carla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará, mantiver a decisão de suspender o Enem, o MEC vai recorrer.

Reponsabilidade do Inep

Questionado diversas vezes sobre a responsabilidade do Inep no erro que aconteceu com o cabeçalho da prova, o ministro explicou que existe um "imprima-se", uma ordem de comando para o modelo de gabarito. "Houve a inobservância da portaria que regulamenta o Enem", disse. No entanto, ele não diz quem seria o responsável, se algum funcionário do Inep. "Precisamos apurar", disse.

*Com reportagem de Camila Campanerut, em Brasília

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