Baixa adesão de instituições privadas de ensino ao fundo garantidor do Fies preocupa MEC

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil<br>Em Brasília

O Ministério da Educação (MEC) está descontente com adesão das instituições privadas de ensino ao fundo garantidor do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) e com a baixa procura dos estudantes pelo programa. Menos de 20% das mantenedoras que participam do Fies aderiram ao projeto do Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (Fgeduc). Lançado ano passado, o mecanismo elimina a necessidade de o estudante ter um fiador para participar do programa.

O Fgeduc é mantido pelo Tesouro Nacional e pelas instituições de ensino que quiserem aderir ao projeto e arca com o prejuízo em caso de inadimplência, substituindo a figura do fiador. As faculdades repassam para o fundo 7% do que recebem do MEC pelos alunos matriculados no Fies. Na tarde de hoje (8), o ministro da Educação, Fernando Haddad, reuniu-se com cerca de 50 representantes de instituições privadas para discutir esse e outros assuntos ligados ao setor. O diagnóstico foi de que faltam informações sobre o funcionamento do Fgeduc. O MEC planeja realizar seminários regionais para informar as instituições e aumentar a adesão.

“Por desconhecimento, a adesão das mantenedoras ao Fgeduc é baixa e ele tem um potencial enorme para atender jovens de baixa renda. É muito novo e é natural, até certo ponto, que as instituições tenham dúvidas , mas é um modelo de financiamento bastante simples”, disse o ministro.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Gabriel Rodrigues, há interesse por parte das instituições em participar do fundo, mesmo com o desconto de 7% nos seus ganhos. “O que falta é informação. O sistema privado está precisando se expandir, tem necessidade de mais alunos. Então, precisamos apoiar esses são planos que dão essa possibilidade."

Além de melhorar o diálogo com as instituições, Haddad acredita que é necessário informar melhor os estudantes sobre as possibilidades oferecidas pelo programa. O Fies permite, por exemplo, aos alunos de curso de licenciatura, o abatimento da dívida se o estudante trabalhar em escola da rede pública após a formatura. Cada mês trabalhado abate 1% da dívida, sem que haja necessidade de pagar pelo financiamento. Segundo o MEC, dos 800 mil alunos que se candidataram a uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni) e não conseguiram o benefício, 360 mil se inscreveram para cursos de licenciatura e poderiam optar pelo Fies para custear os estudos.

“No caso dos cursos de licenciatura, o Fies se equipara a uma bolsa do Prouni. O Fies tem capacidade praticamente ilimitada para atender os interessados. No orçamento, a capacidade é para atender 200 mil contratos ao ano”, afirmou o ministro. Em 2010, foram fechados 74 mil contratos do Fies. O MEC vai repassar às instituições a lista dos potenciais estudantes de cursos de licenciatura que se inscreveram no Prouni para que elas os procurem e apresentem as possibilidades do Fies.



Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos