Alunos pagam por apostilas gratuitas em curso de idiomas na rede estadual de SP
Arthur Guimarães
Em São Paulo
-
Fachada da Escola Estadual Buenos Aires, zona norte de SP
Pelo menos duas unidades do CEL (Centro de Ensino de Línguas) -- uma no litoral e outra na capital paulista -- estão vendendo material didático que deveria ser distribuído gratuitamente. Criados pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo para atender alunos de baixa renda, os cursos ficam instalados dentro de escolas de ensino médio da rede.
Os centros aceitam apenas estudantes já matriculados na rede estadual, que podem estudar no contraturno idiomas como espanhol, inglês, francês e alemão.
Como mostra um vídeo obtido pelo UOL, a Escola Estadual Buenos Aires, em Santana, zona norte da capital paulista, chegou a montar um sistema em que tenta disfarçar a prática, apontada como criminosa e ilegal por advogados ouvidos – e tida como irregular pela própria pasta da Educação.
São Vicente
No litoral paulista, no CEL da Escola Estadual Martim Afonso, no centro da cidade, a prática também acontece.
Na página de internet do curso, retirada do ar após os questionamentos do UOL, os gestores anunciam, sem rodeios, que para adquirir as apostilas os alunos precisam procurar alguns pontos de venda – todos fora dos muros escolares.
-
Página do Centro de Estudos de Línguas da escola Martim Afonso
“As apostilas do curso de espanhol estão disponíveis nos seguintes endereços”, diz a página virtual. Logo abaixo, estão listadas duas gráficas. Ao ligar em uma delas, na rua João Ramalho, a atendente explica o valor do material: R$ 23.
Procurado por telefone, o coordenador do curso, que se apresentou como André, afirmou que os estudantes não seriam obrigados a comprar o material. Ele alegou que a própria escola, “em alguns casos”, imprime o material a quem não tem condições de comprar.
No entanto, segundo a secretaria de Educação, esse procedimento não deveria ser uma exceção, mas sim a realidade para todos alunos. Como atende cerca de 1.000 alunos, a prática na Martim Afonso rende R$ 23.000 aos seus organizadores.
Em nota oficial, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (Cenp) reforça que o material didático dos cursos do Centro de Estudos de Línguas (CEL) é de distribuição gratuita.
Sem ter tido acesso ao vídeo publicado pelo UOL, o órgão afirmou que “a alegação de que a Escola Estadual Buenos Aires estaria comercializando material didático não procede”.
Sobre a escola Escola Estadual Martim Afonso, em São Vicente, a pasta informou que “determinou o início imediato da apuração sobre o caso”. Após a conclusão da apuração, segundo a nota, “serão tomadas as medidas cabíveis”.
A secretaria afirmou que “nunca havia registrado nenhum caso de venda de apostila”.
Últimas de Educação
Ver mais notíciasGreve tem adesão de pelo menos 7 em cada 10 professores em universidades da região Norte
Na região Norte, a adesão à greve das universidades federais chega a, pelo menos, 70% do contingente, segundo os...
Tutores de programa de EAD do MEC reclamam de bolsa de R$ 765 e de falta de vínculo empregatício
Tutores da UAB (Universidade Aberta do Brasil), programa do governo federal para a oferta de EAD (Ensino a Distância),...
Inscrições do vestibular 2013 da UFMG começam em 13 de agosto; taxa será de R$ 100
A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) publicou nesta terça-feira (22) o edital do vestibular 2013. As inscrições...
Ex-aluno invade escola em Uberlândia (MG) e ameaça diretores e professores
Um ex-aluno, hoje com 22 anos, invadiu nesta terça-feira (22) uma escola estadual de Uberlândia, 556 quilômetros de Belo...
Professores da UFRJ aderem à greve nacional; pelo menos 41 universidades estão paradas
Os professores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) decidiram, nesta terça-feira (22), entrar em greve por...
Secretário do MEC defende inscrição no sistema de ensino técnico por meio da internet
O secretário de Educação Tecnológica do MEC (Ministério da Educação), Marco Antonio de Oliveira, disse hoje (21) que o...
Na Argentina, estudantes terão de prestar 40 horas de trabalho comunitário para obter diploma
UOL Educação: Professores da Unifesp de Guarulhos não aderiram à greve
Diferentemente do informado, os professores do campus de Guarulhos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) não...
Professores da Unifesp aderem à greve nacional; pelo menos 40 universidades estão paradas
Professores de cinco campi da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) decidiram entrar em greve nesta terça-feira (22)...
Professores da rede privada de Pernambuco realizam assembleia para decidir se entram em greve
Milhares de pessoas protestam em Barcelona contra cortes na educação
BARCELONA, 22 Mai 2012 (AFP) -Cerca de 3.000 pessoas, segundo a polícia, e mais de 18.000, de acordo com os organizadores,...
Índice de abandono escolar é três vezes maior no 6º ano do ensino fundamental
Nas primeiras séries do ensino fundamental (1° ao 5 ano), apenas 1,5% das crianças abandona a escola ao longo do ano...


