Na última prova, uma de cada quatro perguntas do Enem foi de interpretação de texto
Simone Harnik
Especial para o UOL
Em São Paulo
Pouco mais de um quarto das questões objetivas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) são de simples leitura e interpretação de texto. A análise, realizada pelo UOL Educação, levou em conta as duas últimas provas, aplicadas no ano passado a cerca de 3,2 milhões de estudantes. A avaliação MEC (Ministério da Educação) é realizada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
O Enem divide seus 180 testes de múltipla escolha em quatro áreas do saber: ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias; e matemática e suas tecnologias. Dentre elas, a que é composta basicamente por compreensão de textos é a de linguagem. Parte das perguntas de leitura e interpretação pode exigir conhecimento de vocabulário específico em diferentes gêneros, como charges, quadrinhos, publicidades, excertos de revistas, fragmentos de obras da internet, entre outros.
Embora nas demais áreas da prova objetiva o número de questões que se baseiam principalmente na leitura de um texto – imagem, trecho escrito, gráfico simples ou tabela – seja menor, não é irrelevante. Nas ciências naturais, de acordo com a verificação do UOL, 11% das perguntas podiam ser respondidas apenas com a leitura atenta e sem conhecimento específico das disciplinas.
Situações do cotidiano
Por toda a prova, os testes privilegiam problemas que tenham alguma ligação com a vida cotidiana. Por isso, em geral, a compreensão dos enunciados é simples. Em matemática, por exemplo, conhecimentos sobre números complexos nem chegaram a ser cobrados nos 45 testes de cada um dos exames do ano passado. O conteúdo avaliado ficou restrito, fundamentalmente, a continhas simples e cálculo de áreas e volumes.
Já nas provas de ciências humanas e de ciências da natureza, é possível notar uma preocupação dos examinadores relacionada aos problemas do mundo atual, como o aquecimento global, a poluição, a produção agrícola, as crises econômicas, os problemas decorrentes da urbanização. Cidadania, ética e preocupação com as chamadas “minorias”, como os grupos indígenas, negros e LGBTTTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), também aparece ao longo dos 180 itens.
Teoria de Resposta ao Item
As provas objetivas do Enem são construídas com o uso de uma tecnologia de avaliação chamada Teoria de Resposta ao Item (TRI). Seu grande diferencial é possibilitar que provas diferentes tenham o mesmo nível de dificuldade. Isso ocorre porque todas as questões (chamadas de itens) passam por um “teste” anterior ao exame. Esse procedimento recebe o nome de “pré-teste” e ocorre quando diferentes estudantes do País respondem a questão. Pelo número de acertos e erros, o item recebe pesos diferentes, relacionados ao seu grau de dificuldade.
Embora as provas possam englobar itens de diferentes disciplinas acadêmicas, em tese, eles devem implicar o mesmo nível de dificuldade global ao longo dos dias de testes objetivos.
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