Veja a correção comentada do Enem 2011

Da Redação
Em São Paulo

Os professores do Curso e Colégio Objetivo fizeram neste sábado (22) a correção online do primeiro dia do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011. As provas  acabaram às 17h30. 

 

Os professores ouvidos pelo UOL consideraram a prova de nível médio. Para Edmilson Motta, coordenador geral do curso e colégio Etapa, o Enem "está se consolidando e amadurecendo". Segundo ele, percebe-se um "aprimoramento" na elaboração da prova. "A prova de geografia evoluiu muito, assim como a de física", afirmou.

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Prova cansativa

Candidatos ouvidos pelo UOL Educação em seis capitais brasileiras relataram que o primeiro dia de provas do Enem foi tranquilo, porém cansativo. Para alguns, as questões do exame deste ano estavam bem mais complicadas e com uma quantidade de textos maior em relação aos anos anteriores.

No bairro da Barra Funda, em São Paulo, primeiros candidatos a deixar o local de prova reclamaram do cansaço. "Comecei a fazer tranquilo, mas depois foi ficando cansativo e eu chutei bastante", disse Renan da Cunha Odone, 17. Para Karen Bontempo, 17, a prova tinha muitas pegadinhas, algumas questões mais fáceis e outras bem difíceis: "comecei a perder a paciência e chutar tudo", contou.  A estudante achou as questões de humanas mais fáceis que as de ciências da natureza.

Atrasos

Pelo menos 80 candidatos chegaram atrasados e perderam o Exame Nacional do Ensino Médio 2011. Pontualmente às 13h os portões foram fechados nos locais de prova acompanhados pelo UOL em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre. Em Belo Horizonte e Salvador, houve tolerância: na capital mineira, o fechamento foi às 13h05; na baiana, 13h06.

Em São Paulo, no local de prova em que o UOL Educação está, houve pelo menos 20 candidatos atrasados; em Curitiba, a reportagem contou dez; no Rio de Janeiro, cinco; e, em Belo Horizonte, dez.

Em Fortaleza, pelo menos 20 candidatos não perceberam que o início da prova seguiria a hora de Brasília, que está no horário de verão -ou seja, no Ceará, o exame começou ao meio-dia. De acordo com informações dos coordenadores e fiscais, na UCSal (Universidade Católica do Salvador), pelo menos 15 estudantes deixaram de fazer as provas porque foram para o endereço errado. “Fui para o campus Federação, mas a minha prova foi realizada em outro local”, lamentou a auxiliar de enfermagem Adriana Oliveira, 23. 

Desafio

Este final de semana não é só decisivo para os cerca de 5,3 milhões de candidatos que vão fazer o Enem 2011. Cercando a prova de cuidados, o MEC (Ministério da Educação) e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) tentam fazer com que os problemas das últimas edições não se repitam.

Para isso, nas palavras do ministro Fernando Haddad, o Enem se cercou do “melhor da inteligência no país”: o Inmetro começou a acompanhar cada etapa da produção das provas, fez-se um contrato longo com a gráfica que imprime os testes, reforçou-se a segurança e a logística.

Isso, no entanto, não evitou deslizes: nesta semana, mais de mil candidatos no Rio de Janeiro receberam os cartões de confirmação de inscrição com o endereço errado do local de provas. O MEC afirma que avisou os estudantes do problema.

A fiscalização do exame, considerada na última edição um dos elos fracos do Enem (um aplicadora de uma cidade da Bahia vazou parte do tema da redação para o filho dela), foi um dos pontos atacados pelo Inep. A presidente do órgão, Malvina Tuttman, disse que o treinamento dos fiscais seria “intensificado”.

Apesar disso, a três dias da prova, ainda havia seleção de fiscais na Paraíba. Questionado sobre o fato de fiscais estarem sendo treinados a poucos dias do Enem, o Inep afirmou ao UOL Educação que os coordenadores de prova já foram treinados e que, apesar de “estar no cronograma”, a capacitação da fiscalização local é uma questão de “organização interna” das instituições.

Futuro político e consolidação de modelo

O próprio futuro político de Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, depende do sucesso desta edição, afirmam especialistas. Segundo o cientista político Milton Lahuerta, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o Enem é um “telhado de vidro” em uma eventual campanha. “De jeito nenhum será um tema confortável. O que aconteceu [erros nas provas anteriores] já é suficientemente complexo”, diz.

Haddad fala sobre o Enem

Haddad é o fiador do novo modelo do Enem, em vigor desde a prova de 2009, e sucesso desta edição ajudaria a consolidá-lo. Concebido pelo então ministro Paulo Renato Souza (PSDB), em 1998, como um instrumento de avaliação do ensino médio, o exame passou a ter também a função de seleção em universidades federais. A ideia de Haddad é que, no futuro, o Enem passe a ser utilizado por todas elas como único método de entrada dos estudantes, acabando com o vestibular.

Uma das maiores mudanças no Enem foi o método de correção: passou-se a utilizar a TRI (Teoria de Resposta ao Item), que atribui “níveis de dificuldade” às questões e impede, por exemplo, que um aluno que chutou e acertou a maior parte das questões tire uma nota maior do que aquele que acertou questões mais difíceis.

Além da seleção para universidades, o Enem também é usado pelos estudantes que querem uma bolsa no Prouni (Programa Universidade para Todos) ou um crédito no Fies (Financiamento Estudantil).

Problemas

O novo modelo vem enfrentando problemas desde que começou. No primeiro ano, a prova foi furtada da gráfica, o que forçou o cancelamento do exame a apenas dois dias da realização. Com a mudança de data, várias universidades desistiram de utilizar o exame como seleção.

Em 2010, novos problemas: mesmo com a prova cercada de maiores cuidados, o cabeçalho dos cartões de resposta do primeiro dia veio invertido; além disso, estudantes receberam alguns cadernos de provas com erros de impressão, o que obrigou o MEC a fazer um novo teste para eles dias depois. Não bastasse, um repórter de Pernambuco vazou o tema da redação de dentro do banheiro de um dos locais de prova.

Alunos também reclamaram que tiveram as redações zeradas –segundo eles, injustamente. Isso tudo provocou uma batalha de liminares que culminou com o cancelamento da prova, por parte da Justiça. O MEC conseguiu reverter a decisão e o processo de seleção continuou.

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