Em assembleia, estudantes decidem desocupar prédio da USP
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) decidiram, em assembleia realizada na noite desta terça-feira (1º), desocupar o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), ocupado desde a última quinta-feira (27) em protesto contra a ação da Polícia Militar no campus Butantã. Dos mais de mil presentes na assembleia, 559 votaram a favor da desocupação e 468 contra.
Mais cedo, cerca de 300 alunos favoráveis à PM na USP fizeram um ato dentro do campus. Ontem (31), outros 300 estudantes e funcionários contrários à PM fizeram um protesto no campus e fecharam a rua Alvarenga, que fica em frente ao portão principal da USP.
Os estudantes pedem a revogação do convênio assinado em setembro entre a USP e o governo que permite a PM no campus e exigem a retirada dos processos administrativos contra trabalhadores e alunos que participaram de atos políticos.
Nesta terça, a Congregação da FFLCH –órgão mais importante da unidade– emitiu uma nota dizendo que irá procurar a reitoria e o conselho gestor para buscar uma reavaliação do convênio entre USP e PM.
A congregação criticou o convênio e a atuação da PM na universidade. A unidade defende ainda uma nova política de segurança na USP, compatível com os direitos humanos e que esteja ao lado da comunidade acadêmica.
Os contrários à PM
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Estudantes contrários à PM na USP bloqueiam entrada da universidade
Noite de fúria
A confusão na USP começou por volta de 18h30 da última quinta-feira (27), após PMs deterem três estudantes que estavam com maconha no estacionamento da faculdade de História e Geografia. Enquanto os policiais levavam os rapazes para um carro de polícia, um grupo de estudantes começou a protestar e impediu que os usuários fossem levados à delegacia.
À medida que o protesto ganhava adesões, os policiais chamaram reforços. Um delegado de Polícia Civil chegou a ir até o local. Após mais de três horas de discussão entre representantes da polícia, estudantes e professores, começou a confusão. Os estudantes gritavam palavras de ordem contra a presença da polícia e exibiam livros de autores de esquerda como forma de protesto.
A tensão entre as duas partes cresceu até o momento em que um estudante lançou um cavalete em direção aos policiais. Irritados, os agentes partiram para cima dos estudantes que estavam perto dos carros de polícia, agredindo-os com cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha. Alguns estudantes revidaram atirando pedras. Estudantes e professores ficaram feridos.
Segundo João Victor Pavesi, diretor do DCE (Diretório Central dos Estudantes), os três rapazes detidos concordaram em ir até a delegacia assinar um termo circunstanciado –que não tem caráter punitivo nem resulta em abertura de inquérito contra os usuários.
Os rapazes decidiram ir à delegacia após a diretora da FFLCH, Sandra Nitrini, afirmar que não abriria processo administrativo contra eles.
Por volta de 22h do mesmo dia, cerca de 500 estudantes reunidos em assembleia decidiram, por 205 votos contra cerca de 190, ocupar o prédio da administração da faculdade.
Debate sobre a PM
A presença dos policiais no campus –defendida pelo reitor, João Grandino Rodas, e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB)– passou a ser mais frequente e em maior número após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio deste ano. Em setembro, o reitor e o governador assinaram um convênio, autorizado pelo Conselho Gestor do Campus, para regulamentar a atividade da PM na USP.
Os contrários à PM no campus dizem que a medida abre precedente para a polícia impedir manifestações políticas –que comumente ocorrem dentro do campus– e citam o episódio de junho de 2009, quando a Força Tática da PM entrou na universidade para reprimir um protesto estudantil e acabou ferindo os estudantes e jogando bombas dentro de unidades.
Como alternativa à PM, o DCE defende que a segurança do campus não seja militarizada, isto é, que seja de responsabilidade da Guarda do Campus. A entidade defende que haja mais iluminação das vias do campus e que a USP mais seja aberta à comunidade externa, aumentando a circulação de pessoas.
Uma parcela dos alunos –sobretudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e da Escola Politénica– defende a presença da PM, argumentando que isso aumenta a segurança dos frequentadores do campus.
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