Alunos da USP montam barricadas no Crusp para esperar reintegração de posse que ainda não foi marcada

Suellen Smosinski
Do UOL, em São Paulo

Estudantes que moram nos três primeiros andares do bloco G do Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo), conhecido como Moradia Retomada, montaram barricadas e um acampamento com quatro barracas para evitar uma possível reintegração de posse. A parte do prédio onde eles moram era utilizada pela administração da universidade e está ocupada pelos estudantes desde 2010.

Segundo os alunos, uma decisão da Justiça de São Paulo, publicada em janeiro, teria determinado a reintegração de posse do prédio, com prazo de execução para o início dessa semana. Porém, o que ocorreu foi a intimação dos representantes da universidade para depor sobre o caso. A assessoria de imprensa da USP afirmou que não existe nenhuma previsão para a ação de reintegração de posse.

“Todo mundo fica aqui, o pessoal fica revezando na vigia, por conta da possibilidade do Choque [Tropa de Choque da Polícia Militar] vir. E tem quem dorme nas barracas também”, disse Carolina Alves, 21, que mora no local. De acordo com a estudante, atualmente trinta pessoas residem no espaço, que tem capacidade para cinquenta.

Durante a semana de matrícula, os moradores estão conversando com os novos alunos que têm interesse em ficar no local. “A gente explica toda a situação politica para os calouros”, contou Carolina.

A estudante criticou o processo de seleção para o Crusp, realizado pela Coseas (Coordenadoria de Assistência Social), por “desencorajar o aluno a tentar uma vaga”. “Se você fala que mora em Itaquera, é perto. Se mora em Santos, é perto também. É difícil conseguir moradia aqui, são poucas vagas”, afirmou Carolina. Ela conta que no primeiro ano da graduação não conseguiu um local para morar na universidade: “Quando aconteceu a retomada consegui vir para cá e foi o que me possibilitou continuar no curso”.

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