Apostilas para o Enem servem para revisar, não para aprender, dizem especialistas

Rafael Targino
Do UOL, em São Paulo

  • Flavio Florido/UOL

    Para especialistas, apostilas devem servir como material de apoio

    Para especialistas, apostilas devem servir como material de apoio

Uma opção para quem não quer (ou não pode pagar) por um cursinho, as apostilas de estudo para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) são cada vez mais comuns: é possível encontrá-las em bancas de revista e até em supermercados. Mas, com tantas opções disponíveis, como garantir a qualidade do material? Como saber qual é o melhor? E mais: dá para utilizá-las para aprender alguma coisa?

Segundo especialistas ouvidos pelo UOL Educação, a resposta é não. “[É um material] Para revisão. Jamais um estudante poderia aprender pela primeira vez [com a apostila]”, afirma a pedagoga Paula Louzano, consultora da Fundação Lemann.

O coordenador do Banco de Redações do UOL, Antônio Carlos Olivieri, vai além. “Se o cara tem uma formação geral, a apostila apresenta a espinha dorsal, a síntese do que ele precisa estudar. Material sozinho não adianta nada. Dificilmente uma apostila vai conseguir abranger todo o conteúdo dos três anos de ensino médio. Na apostila, ele vai ter o básico.”

Competências x conteúdo

Paula alerta, também, para o fato de que o Enem é uma prova diferente de um vestibular tradicional, por estar mais focado em competências e habilidades do que em conteúdo.

“Não sei até que ponto uma apostila ajuda muito. Uma prova da Fuvest [Fundação Universitária para o Vestibular], mais focada em conteúdo, cabe mais esse tipo de coisa. Como [o Enem] é baseado em competência, não em conteúdo, fica mais difícil transformar isso em uma apostila. Que tipo de texto cai? Qualquer texto.”

Além disso, afirma Olivieri, uma apostila não vai conseguir resumir todo o conteúdo dos três anos do ensino médio. “Apostila não é suficiente. Leitura de jornal, acompanhar notícia, isso é fundamental, principalmente para o Enem. Mesmo nas disciplinas de ciências exatas, as questões sempre têm um link com a realidade.” Ou seja: a eficiência de uma apostila para o Enem (ou para um vestibular) depende muito, também, do perfil do estudante.

Dicas para escolher

  • 1

    Observe a procedência

    Veja se o texto foi feito por algum sistema de ensino ou cursinho reconhecido no mercado

  • 2

    Analise a capa

    Ela precisa dizer exatamente o vem na apostila. O material é de que disciplina? Há exercícios?

  • 3

    Se for possível, folheie

    Caso não esteja lacrado, dê uma olhada no material e procure por erros, inclusive de português

Atenção com erros

E como saber se uma apostila é boa ou não? Como elas geralmente vêm lacradas, nem sempre dá para avaliar o conteúdo. Porém, a capa pode dar uma boa pista.

“Antes de tudo, o aluno tem que ver a procedência desse material, se ele é publicado por uma fonte confiável. Seja uma escola de renome, sistema de ensino”, afirma o coordenador do Banco de Redações. “Tem que olhar muito bem as informações da capa. O material deve dispor muito bem o que se está vendo.”

Desconfie, claro, de erros de português. “Desde a capa, [é preciso] dar uma olhada na linguagem, ver se não tem erros de impressão, nem de português”, diz Olivieri.



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