Cursos por correspondência, hoje em desuso, recebiam mais de mil cartas por dia

Camila Rodrigues
Do UOL, em São Paulo

  • Instituto Monitor

    Anúncio de curso por correspondência de rádio técnico com duração de 25 semanas

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Os cursos por correspondência, praticamente em desuso em tempos de internet, já tiveram seus dias de glória. De acordo com a vice-presidente do Instituto Monitor, Elaine Guarisi, em meados de 1985 havia 10 mil matrículas por mês em cursos livres. As reservas de vagas neste instituto especializado em EAD (Educação a Distância) eram feitas via cupons de revistas, e o número de cartas era um termômetro do sucesso. “Hoje recebemos dez cartas por dia, em média. Até o início dos anos 1990, eram mais de mil cartas por dia”, diz.

Entre os pioneiros na oferta de cursos por correspondência no Brasil que sobrevivem às novas tecnologias de informação estão o Instituto Monitor, fundado em 1939, e o Instituto Universal Brasileiro, de 1941. As mudanças tiveram impacto sobre os negócios: “Tem muita gente oferecendo cursos livres online de R$ 30, R$ 60. Não tem como concorrer, manter toda essa estrutura”, afirma Elaine. Segundo ela, o instituto está se especializando em cursos oficiais, autorizados pelas secretarias estaduais de educação e com reconhecimento de órgãos reguladores, como Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia).

Veja como eram os cursos por correspondência
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Cursos mais procurados

Estudos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que pouco antes de 1900 já existiam propagandas de cursos profissionalizantes por correspondência em jornais do Rio de Janeiro. Nos anos 1940, com a popularização do rádio e dos eletrodomésticos, se difundiram os cursos de eletrônica e rádio via cartas. “Eletrônica sempre foi o curso mais procurado. Primeiro, por causa da indústria, que estava crescendo, e também porque as pessoas mandavam consertar os produtos que quebravam. Hoje, a gente joga fora e compra um novo”, compara Elaine.

O ensino por correspondência também foi utilizado pelas Forças Armadas: em 1939, a Escola de Guerra Naval fez um preparatório para o Curso de Comando e, em 1963, o Exército ofereceu o preparatório para o curso de Aperfeiçoamento de Oficiais.

Na década de 1970, começou a oferta de cursos técnicos a distancia na área de contabilidade, finanças e área jurídica. “A gente mandava fascículos do curso, e as pessoas enviavam as dúvidas por correspondência. A resposta era enviada no dia seguinte ao do recebimento da carta”, lembra Rodrigo Paiva, diretor do Instituto IOB, que oferece cursos técnicos a distância há mais de 30 anos.

Público-alvo

O público dos cursos por correspondência era composto principalmente por profissionais que precisavam de qualificação rápida, com rotinas atribuladas, profissionais com baixa qualificação de cidades do interior do país em que não havia oferta de cursos técnicos, profissionalizantes ou de aperfeiçoamento.

Segundo o levantamento de Roberto Palhares, atual presidente do Instituto Monitor, 90% dos matriculados eram homens com idade média entre 25 e 28 anos. Mais de 70% deles tinham família constituída, em média por dois filhos, e 65% estavam empregados e possuíam situação financeira estabilizada.



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