Federal do Ceará nega esquema de compra de vagas em medicina denunciado pelo MPF

Angélica Feitosa
Do UOL, em Fortaleza

A UFC (Universidade Federal do Ceará) negou a denúncia de ocupação irregular de 17 vagas do curso de medicina da instituição. Na manhã dessa segunda-feira (25), o Ministério Público Federal no Ceará pediu a anulação do Sisu do segundo semestre e usou como argumento a investigação de uma suposta fraude na instituição. Oscar Costa Filho, procurador da república no Ceará, afirma que, segundo estudantes do curso, alguns alunos foram transferidos de outras universidades e graduações para ocupar as vagas que deveriam ser preenchidas pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) de 2011.

O que chamou a atenção do procurador é o fato de medicina ser um dos cursos mais concorridos da UFC. De acordo com o Oscar Costa Filho, cinco das vagas sofreram desistência oficial, ou seja, os estudantes informaram, através de ofício, que abriam mão das cadeiras da universidade. Os alunos restantes se matricularam no primeiro semestre e não apareceram nos seguintes. Muitos sequer chegaram a pisar no campus do Porangabuçu, onde ocorrem as aulas de medicina. Além das ocupações irregulares, as ausências foram aproveitadas, de acordo com o procurador, para serem ocupadas por ordem judicial.

O coordenador de Planejamento, Informação e Comunicação da UFC, Miguel Franklin, confirma a desistência dos alunos, mas afirma que nenhuma dessas vagas foi ocupada por transferência de qualquer universidade. “As cinco pessoas enviaram à UFC o termo de desistência em tempo hábil para o preenchimento das vagas pelo Sisu. E isso foi feito”, comenta. Os 12 estudantes restantes, informa ele, ainda não perderam a vaga na universidade porque a desistência sem aviso só é confirmada quatro semestres depois do abandono.

“Em quatro anos que estou na pró-reitoria de Graduação, nunca um aluno foi transferido por sobra de vagas em medicina. Isso só acontece quando um aluno morre, porque é um curso sem desistência”, afirma. Segundo ele, as vagas também não foram ocupadas por alunos que ganharam decisões judiciais. O professor diz que algumas ordens da justiça obrigam a universidade a receber alunos que não passaram pelo Sisu. “À UFC, cabe cumprir a ordem, mas essas vagas não são aquelas que seriam ocupadas pelo Sisu. A universidade abre novas vagas”, informa. As 12 vagas ociosas ficarão desocupadas até completar dois anos. Só então será aberto o processo de transferência externa, por seleção de graduados, por exemplo.

A explicação do coordenador de Planejamento para o abandono das vagas de medicina é que muitos vestibulares no país ocorreram após a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Com isso, os alunos aprovados na UFC passaram também em outras universidades próximas de sua residência e fizeram a opção pela vaga perto de casa, como é o caso de um dos alunos. Sem identificá-lo, o professor lê o ofício de desistência informando que o estudante abandonara o curso após passar no vestibular para medicina em Santa Catarina, local de mora.

Já para o procurador a culpa pela ociosidade das vagas é do Sisu: “O fato é que o Sisu está propiciando que um curso como o de medicina, o mais concorrido da UFC, fique com 17 cadeiras vagas no semestre. Isso já é uma irregularidade”, avalia o procurador. Oscar Costa Filho chegou a comparar o caso com o ocorrido na Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), onde uma suposta fraude na matrícula de cinco alunos no curso de medicina foi denunciada em abril. 

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