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Em greve, professores do RJ terão faltas descontadas no salário

Flávia Villela

Da Agência Brasil, do Rio de Janeiro

14/05/2014 17h52

A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) e a Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro informaram nesta quarta-feira (14), por meio das assessorias de imprensa, que as faltas não justificadas dos professores serão descontadas nos salários. A categoria entrou em greve na última segunda-feira (12).

A decisão das secretarias se deu após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter suspendido, ontem (13), o acordo que encerrou a greve dos trabalhadores da educação no Rio de Janeiro, no ano passado. Em decorrência daquele acordo, o governo do estado e a prefeitura carioca se comprometeram a não cortar o ponto nem a penalizar os professores grevistas, desde que eles voltassem à atividade e repusessem as aulas.

Durante a audiência, que contou com representantes da prefeitura e do governo estadual, o STF afirmou que os acordo firmados no ano passado com o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) estão sendo cumpridos. O ministro Luiz Fux declarou que o sindicato não tem interesse em cessar a greve e determinou que as obrigações contidas naquele acordo estavam suspensas, bem como seus efeitos, até que ocorra a greve seja finalizada.

O Sepe afirma que o acordo não estava sendo cumprido e acrescenta que a greve atual apresenta novas demandas. “Em nossa campanha salarial de 2014, queremos um aumento salarial de 20% para todos os trabalhadores da educação das redes municipal e estadual, a discussão do nosso plano de carreira unificado e diversas outras questões relacionadas às condições de trabalho”, disse diretora do sindicato, Wiria Alcântara. Ela ressaltou que os governos não quiseram abrir negociações, nos meses antes do anúncio da greve. “Mandamos ofício falando da negociação e não obtivemos resposta”, completou.

Sobre a audiência no STF, a diretora explica que o sindicato decidiu não ir à Brasília sem a aprovação da categoria em assembleia. “Fomos notificados na véspera da audiência, à noite, e a reunião foi em Brasília às 10h”, disse. “Além disso, a audiência em Brasília só faria sentido se houvesse se esgotado a etapa de negociação, mas sequer tivemos esta etapa com os governos”, declarou Alcântara.

Nesta quinta-feira (15), a partir das 11 horas, os professores votarão, em assembleia, se a greve continuará ou não.

Os professores do estado reivindicam mudanças no currículo escolar, reajuste de 20% nos salários, redução da jornada semanal de trabalho dos funcionários administrativos para 30 horas e reserva de um terço da carga horária para preparar aula. A Secretaria Estadual de Educação diz que está em negociação com o sindicato e que já cumpre esta última demanda. Argumenta, ainda, que não pode reduzir jornada de trabalho sem diminuir salários e que planeja um aumento de cerca de 8%.  A rede estadual do Rio paga, atualmente, R$ 16,90 pela hora-aula do professor.

Segundo as assessorias de imprensa das secretarias de Educação, o terceiro dia de greve dos professores não afetou significativamente o funcionamento das escolas. Os órgãos informaram que as faltas foram pontuais, provocadas, sobretudo, pela greve dos rodoviários, iniciada ontem. O Sepe discorda e defende que a adesão dos profissionais tem crescido, tanto na capital quanto em cidades importantes, como Duque de Caxias, Nilópolis e Niterói.

Ontem, a Agência Brasil mostrou que, enquanto a Seeduc calcula que cerca de 0,3% da categoria, ou seja, 269 profissionais, aderiram à greve, a assessoria de imprensa do sindicato afirma que a greve conta com adesão de, pelo menos, 30% do total dos profissionais, o que equivale a cerca de 27 mil professores do estado.