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USP investirá até R$ 400 milhões em programa de demissão voluntária

Servidores, em greve desde o fim de maio, reivindicam aumento salarial - Reinaldo Canato/UOL
Servidores, em greve desde o fim de maio, reivindicam aumento salarial Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Do UOL, em São Paulo

21/08/2014 11h59Atualizada em 21/08/2014 13h14

O reitor da USP (Universidade de São Paulo), Marco Antonio Zago, informou que a instituição fará um investimento inicial de até R$ 400 milhões no programa de demissão voluntária, caso o Conselho Universitário aprove as propostas para conter a crise financeira da universidade.

No último dia 15 de agosto, Zago anunciou medidas para reequilibrar as contas da USP. No caso do quadro de funcionários, a expectativa é que programa de demissão voluntária abranja 2.800 dos 17.500 funcionários não docentes, com idade entre 55 e 67 anos e mais de 20 anos de carreira.

“Nossos gastos excessivos com a folha de pagamento tem duas causas: excesso de servidores técnico administrativos e benefícios aos servidores muito acima da média. Nesse programa a USP fará um investimento inicial de até R$ 400 milhões e espera obter uma redução da folha de salários e benefícios na ordem de 6% a 7%”, explicou o reitor em vídeo divulgado pela universidade.

Além do programa de demissão voluntária, a universidade ainda pretende implantar um plano de redução da jornada de trabalho, com correspondente redução salarial, e a transferência de dois hospitais universitários para a Secretaria de Saúde do Estado.

O Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e o DCE (Diretório Central dos Estudantes) da universidade não concordam com as propostas apresentadas pela reitoria. Para eles, o plano promoverá a "perda de qualidade" da USP

“Tudo isso representa a destruição da Universidade de São Paulo”, afirmou o Sintusp em nota.

Sindicância

Uma sindicância foi instaurada pela USP para investigar se o ex-reitor João Grandino Rodas (2010-2013) autorizou aumentos de gastos com recursos humanos sem consentimento do Conselho Universitário.

Para ele, nem tudo deve ser votado no Conselho Universitário. Rodas argumenta que o estatuto e o regimento da USP "não preveem submissão de todas as questões ao Conselho Universitário, até mesmo por razão prática da impossibilidade material de o fazer", afirmou à sindicância.

USP x servidores em greve

Uma audiência de conciliação realizada no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) com representantes da USP (Universidade de São Paulo) e do Sintusp (sindicato dos servidores da universidade) terminou sem acordo nesta quarta-feira (20). O encontro durou cerca de três horas e, como terminou sem consenso, uma nova audiência foi marcada para o próximo dia 27 às 13h.

Os servidores da USP estão em greve desde o fim de maio porque reivindicam aumento salarial. A universidade, por sua vez, defende o reajuste zero, porque tem 105% do orçamento atual comprometido com folha de pagamento.

Na audiência, a desembargadora Rilma Aparecida Hemetério pediu que a USP suspenda o corte de ponto e que os grevistas não realizem  piquetes na universidade.