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No Twitter, Olavo de Carvalho associa crise no MEC a demitido no Itamaraty

O escritor Olavo de Carvalho, considerado "guru" de Jair Bolsonaro -
O escritor Olavo de Carvalho, considerado "guru" de Jair Bolsonaro

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

11/03/2019 18h11Atualizada em 11/03/2019 19h44

O escritor Olavo de Carvalho, considerado "guru" intelectual do presidente Jair Bolsonaro (PSL), usou as redes sociais para associar uma briga interna no MEC (Ministério da Educação) a um conflito que resultou na exoneração do embaixador Paulo Roberto de Almeida da presidência de um órgão do Itamaraty.

Ontem, em uma tentativa de apaziguar os desentendimentos no MEC, Bolsonaro pediu a Vélez para que afastasse o coronel Ricardo Wagner Roquetti do cargo de diretor de programa da secretaria-executiva do ministério. A exoneração de Roquetti foi oficializada em uma publicação extra do Diário Oficial na tarde de hoje, em uma portaria assinada por Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub, secretário-executivo da Casa Civil.

Segundo apurou o UOL, a forma como Roquetti atuava dentro do MEC causava desconforto aos "olavetes", que viram no coronel um perfil autoritário e centralizador. Com forte influência sobre Vélez, Roquetti era visto como "ministro de fato".

Além de Roquetti, foram exonerados hoje outros cinco membros do MEC. Entre eles, estão Silvio Grimaldo e Tiago Tondinelli, que foram alunos de Olavo de Carvalho. Grimaldo ocupava o cargo de assessor especial do ministro e, Tondinelli, o de chefe de gabinete.

Na tarde de hoje, Carvalho afirmou que apoia Vélez, mas sob a condição de que ele se livre dos "croquetettes", em alusão a pessoas próximas do coronel Roquetti e que teriam sido indicadas para cargos no MEC.

"Com exceção de um só, que pediu dispensa por motivos pessoais, nenhum olavette saiu do MEC", escreveu Carvalho. O funcionário que "pediu dispensa por motivos pessoais" seria Silvio Grimaldo, um dos alunos de Olavo de Carvalho que trabalhava como assessor especial de Vélez. Em suas redes sociais, ele afirmou que o MEC promovia um "expurgo" de ex-alunos do escritor.

"Quem saiu, exoneradíssimo", continua Carvalho no texto, "foi o gostosão que os estava perseguindo e boicotando. Ele e sua turminha de paulorobertodealmeidettes". 
Paulo Roberto de Almeida foi demitido do cargo de diretor do Ipri (Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais) na última segunda-feira (4). Em seu blog pessoal, ele havia reproduzido textos críticos ao governo e Olavo de Carvalho.

Nas redes sociais, Silvio Grimaldo afirmou ter sido "avisado" por telefone, durante o Carnaval, de que seria transferido para um cargo visto como inferior --o que descreveu como um "prêmio de consolação pelos serviços prestados, uma política comum com os que se tornam indesejados no MEC". Ele afirmou, então, ter comunicado a Vélez o seu desligamento do MEC.

Os desentendimentos no MEC vieram a público na última sexta-feira (8), após Carvalho pedir para que seus ex-alunos deixassem o governo de Bolsonaro, alegando haver "inimigos" entre os que cercam o presidente. 

Naquele dia, o Diário Oficial trouxe o desligamento de pelo menos cinco funcionários do ministério ou de órgãos ligados à pasta. As portarias, datadas de quinta-feira (7), foram assinadas pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.